Patti Smith e a Força da Mulher no Rock

Texto: Amanda cipullo

Lugar de mulher é onde ela quiser. E disso Patti Smith sempre soube. Sabia desde 1967, quando mudou-se para NYC e mostrou para o mundo que a visceralidade do rock n’roll não era coisa só pra macho.

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Patti nunca foi considerada uma moça bonita, não tinha a voz de rouxinol e não era delicada ou feminina – não a delicadeza e feminilidade que se impunha para a mulher nos anos de 1960/1970. Isso fez com que repetidas vezes ouvisse que jamais seria uma artista. Afinal de contas, acreditava-se (e ainda acredita-se) que a mulher artista tinha que ser uma espécie de ninfa da beleza, com um belo corpo, uma bela voz , traços delicados e um jeito tímido e recatado que reforçasse seu poder de encantar. Patti, no entanto, nunca compactou com nada disso. Andou na contra mão de todos os padrões e criou a sua própria forma de viver. Longe daquelas regras que tanto limitavam sua liberdade influenciou, e ainda influencia, várias outras mulheres na música, nas artes plásticas e na literatura. Foi a “mãe do punk-rock” e nos mostrou que era sim possível viver da forma como bem quiséssemos – e que isso não era problema de ninguém. A menina que sobreviveu a inúmeros golpes, transformou suas dores em poesias. Cresceu e ficou forte. Tornou-se uma das figuras mais importantes do rock.

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No livro “Só Garotos”, no qual a narra sua história com o fotógrafo Robert Mapplethorpe, somos também apresentados ao desconforto de ser uma garota fora dos padrões nos anos de 1960. Ao longo da narrativa ela nos conta que foi justamente essa sensação de não pertencimento que fez com que saísse fugida de New Jersey quando descobriu, com vinte e poucos anos, que estava grávida.

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Uma gravidez inesperada, naquela época, apontava apenas para um caminho: o casamento,  constituição família e o fardo de abrir mão da própria vida. Dizia-se que a mulher precisava ser mãe para ser completa. Depois disso, não precisaria de mais nada. Mas Patti sempre quis muitas coisas do mundo. Então, mesmo sem o apoio da família e enfrentando todo o tipo de crítica, tomou a difícil decisão de abrir mão da maternidade para que pudesse seguir em busca do mundo que queria conquistar. E seguiu. Mesmo totalmente dilacerada, seguiu.  Mudou-se para Nova York. Viveu uma relação intensa de amor e amizade com Mapplethorpe. Rodou por várias estradas e conheceu vários outros homens. Espalhou sua arte por aí. Influenciou um monte de gente e nunca olhou para trás. Anos depois, engravidou novamente, mas não precisou abrir mão de nada para ser mãe. Eram outros tempos, outra forma de viver. A maternidade já não era mais um fardo, mas  uma escolha. E só pode ser desta maneira, porque ela já havia se libertado de todos os tipos de imposição há muito tempo. De uma certa forma, abriu caminhos para todas nós.

Com Patti Smith, ou melhor, com a música e a poesia de Patti Smith, aprendi isso: que sempre é tempo de criar o nosso próprio caminho ou um lugar no mundo que possamos pertencer. As portas que ela mesma escancarou para poder dar vazão a tudo o que queria viver, continuam abertas para muitas outras de nós. E é por isso que dedico hoje este texto a ela. Não só por ser dia da mulher, mas para que todas as outras mulheres não se esqueçam dos exemplos incríveis que estão ai para nos inspirarem. Para que não se esqueçam de Patti Smith, cantora, escritora e artista plástica, aquela que diziam ser “só uma garota”.

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