A acidez da SIOD

Texto: Amanda Cipullo

Ano passado, tive uma grata surpresa ao ser convidada para a audição de estréia da banda SIOD. No entanto, o tempo que passou desde aquela noite, até que pudesse finalmente escrever esta resenha, foi impiedoso com o Casos de Rock, e isso fez com que o texto atrasasse tanto, que passei a acreditar que tudo isso já tinha virado notícia velha. Mas, como aqui “histórias são notícias que não envelhecem”, achei que ainda valia comentar a respeito. Na verdade, vale a pena por inúmeros motivos, um deles, é o fato de que com o fim do carnaval, nossos corações rock n’rollers ficam com essa sensação esquisita de que no Brasil só sobrevive o axé e o sertanejo universitário – este, tão burro, que nunca se forma. Então, para amenizar essa ressaca dos não-foliões, resolvi que era hora de levar esperança aos desesperados. Afinal, agora não tem mais desculpas, o ano começou!

Vamos falar sobre música?

SIOD é uma banda de Avaré (interior de São Paulo), composta por 3 integrantes: Umberto Buldrini (vocal/guitarra), Fabiano Gil (baixo) e Caio Fernando (bateria). Essas eram as  informações que eu tinha a respeito dos caras, antes de ouvir o som que faziam. Então, pouco antes da audição começar, troquei algumas palavras com Fabiano Gil, o baixista, a fim de entender em qual terreno musical iríamos entrar.

12932607_1210629118962271_3466620233250684313_n.jpg

Durante os 10 ou 15 minutos de conversa, Gil me contou que já conhecia Umberto Buldrini (vocal/guitarra) há algum tempo, mas só agora tinham finalmente iniciado um projeto juntos. Buldrini além de vocal/guitarrista e compositor, também é dono de um pub em Avaré, conhecido por ser um polo que une diversas banda autorais da região. Além disso, junto com o álbum de estréia, estavam lançando uma série limitada de cervejas Brown IPA – disponível para degustação durante a audição.

WhatsApp Image 2017-03-06 at 12.06.44.jpeg

Fabiano dizia que todos ali eram “velhos de guerra” e já nutriam casos musicais há muito tempo – seja dentro ou fora dos palcos. No entanto, ainda assim, não sabia como definir exatamente o som que faziam. Disse apenas que era algo que sentia vontade de fazer há alguns anos, sobretudo, que gostava da personalidade contida nas letras e melodias. Isso foi o suficiente para que eu ficasse mais curiosa a respeito do que viria a seguir. Afinal, havia uma série pontos que contavam a favor mesmo antes de ouvi-los. Restava saber se música era tão boa quanto a cerveja e o papo.

Pouco depois da conversa, seguimos para a audição. E foi ai que finalmente entendi do que se tratava “esSIODio” – nome da música, do álbum e termo que inspirou o nome da banda. Era visceralidade que transbordava pelos falantes. Som agressivo e direto ao ponto. A letra, repleta de críticas sociais, lembrou-me da cena Thrash/Hardcore do começo dos anos de 1980. Nada ali tinha pretenções de reinventar a roda. Apenas cumpriam o que propunham. Simples e honestos, do jeito que a música extrema tem que ser. E, talvez, seja justamente esse um dos pontos mais fortes da banda.

 

No final, o som era realmente tão encorpado quando IPA que levava o nome da banda. Inclusive, que se você também gosta de sabores fortes, esta pode ser uma boa pedida para tirar o gosto aguado de skol que sobrou do carnaval. E ai, enquanto estive saboreando o som, pode parar para pensar que não por acaso esse texto saiu junto com o fim da folia. A letra explica o resto. 

Como diz meu amigo Ayrton Mugnaini JR: “é ouvir para concordar”.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s