Como Um Dia Ruim Mudou a Vida (e a Música) de Tony Iommi

Por: Amanda Cipullo

Um dia ruim pode mudar definitivamente a vida de uma pessoa. 

Era seu último dia em uma fábrica de montagem de peças. Ele não queria ter ido trabalhar, mas foi para cumprir a última obrigação. E, tudo ia bem até que, em um minuto de desatenção: sangue, dor e pedaços de dedos decepados.

Caramba, como isso foi acontecer?

Essa é a história  de Tony Iommi.

“Eu admito, dói para caramba tocar guitarra bem nos ossos dos meus dedos decepados, e precisei reinventar meu estilo para me adaptar à dor. No processo, o Black Sabbath começou a soar como nenhuma outra banda até então – até hoje, na verdade. Mas criar o heavy metal por causa dos meus dedos?

Bem, isso já é demais.”

Tony Iommi

Em sua biografia, Iommi conta que chegou a guardar as pontas dos dedos e levá-las até o hospital, mas já era tarde demais.  O pior é que aquele não era só seu último dia de trabalho, era também o dia em que iria, finalmente, largar a vida na fábrica para iniciar a carreira como músico profissional. Que azar!

Alguns meses depois do acidente – e acreditando que tocar guitarra seria um sonho impossível – Tony recebeu uma visita do ex-chefe, que lhe deu um disco de um guitarrista chamado Django Reinhardt, um cara que também havia tido um dia ruim há muito tempo atrás – mais especificamente, em 2 de novembro de 1928, quando um incêndio afetou seriamente a mobilidade de sua mão esquerda.

Apesar disso, Django ainda era fenomenal na guitarra. Tinha estilo próprio e fazia um som incrivelmente criativo. Nenhum outro guitarrista no mundo tocava igual a ele. E Iommi pôde perceber isso. Percebeu, também, que se não era possível tocar igual aos outros, então,  deveria criar o seu próprio jeito de fazer as coisas.  

“Era o guitarrista belga de gipzy jazz Django Reinhardt e, caramba, ele era fantástico! Pensei que, se ele poderia fazer isso, eu poderia tentar”

Tonny Iommi

A partir dai, criou “dedos falsos”, com pedaços de couro e outros objetos, para poder pressionar as cordas da guitarra. No entanto, isso ainda não era o suficiente. A ponta dos dedais improvisados rasgavam com muita facilidade, já que as cordas eram muitos espessas e, como havia perdido a sensibilidade, precisava pressiona-las com muito mais força. Resolveu, então, troca-las por cordas de banjo, que eram bem mais leves do que as outras e permitia a ele que experimentasse tipos de som diferentes, o que não conseguia fazer  com o encordamento original.

“Na época, eu continuava tocando com uma Fender Stratocaster. Desmontei a guitarra inúmeras vezes, tentei deixa-la mais confortável, lixei os trastes , coloquei as cordas na altura certa (…) Eu precisava de cordas muito finas, porque puxar cordas grossas era difícil pra mim.
As cordas de calibre mais fino disponíveis na época eram 0.11 ou 0.12 (…). Fui o primeiro a ter a ideia de fazer cordas mais finas, simplesmente porque precisava achar uma maneira de tonar a guitarra mais fácil de tocar para mim.”

Tonny Iommi

Pois é, se você ainda tem algum preconceito com cordas de pequeno calibre, saiba que, graças a elas, Tony Iommi conseguiu criar os riffs que mudaram definitivamente a história do rock n’roll – atualmente, ele usa cordas 0.8, que foram desenvolvidas exclusivamente para ele.

“Eu mesmo trabalhei com produtores que me disseram que iria precisar usar um conjunto de cordas mais grossas para obter um som potente.
Minha resposta para isso era simples: ‘nunca usei um conjunto de cordas grossas e meu som é potente’ “.

Tonny Iommi

Bem, essa é a história de como um dia ruim,  ajudou a criar  o que mais tarde seria o heavy metal – e as cordas de baixa tensão, também. Sorte nossa!

  • Todas as àspas são referentes a trechos presentes na biografia de Tony Iommi, entitulada “Iron Man – Minha Jornada com o Black Sabbath”
SOBRE A AUTORA

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão. Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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