LIKE A MOTHERLESS CHILD

Texto: Amanda Cipullo

Nós estamos procurando alguma coisa que não sabemos bem o que é.

O Richie cruzou algumas fronteira em busca disso.
Johnny espetava agulhas na pele.
Bob tocava violão, eletrificou-se, desplugou-se, e foi um monte de coisas – de pessoas, também. Não usa seu nome verdadeiro e inventa histórias sobre sua  vida. É o jeito que arranjou para continuar procurando.
Woody morreu, mas deixou belas canções.
Ridley viciou-se em jogos e tinha uma amante chamada Lucille. Quando ela o tocava, todo mundo parava para ouvir.

Lou nasceu e cresceu em NYC. E NYC foi o lugar que lhe ensinou a caminhar pelo lado selvagem. Fazia isso muitíssimo bem; algumas vezes na companhia de Andy Rachel ou Jane, a doce Jane. No geral, sozinho – que nem a gente agora.

Mark esteve empenhado em encontrar a cura para a dor. Dizia que nesse dia deixaria todas as outras drogas para lá – lícitas e ilícitas. Nunca soube se ele encontrou. É provável que ninguém nunca encontre. Na verdade, é mais provável ainda que não seja exatamente isso o que a gente procura.

Richie às vezes se sentia como uma criança sem mãe. Desprotegido e livre – liberdade sempre tira a nossa proteção – ; uma criança que chora sem a mãe, mas fica aliviada por não ter para quem justificar a falta de dentes e as técnicas inventadas. Uma vez, ele  cantou isso para um monte de gente, mas isso já faz um monte de tempo…

Às vezes sua voz ainda reverbera por aí e me faz pensar que pode ser que essa seja a busca e o desejo: uma mãe que nos conduza pela vida, que saiba o nosso verdadeiro nome e a nossa verdadeira história; que em alguns momentos nos impeça de espertar algumas agulhas na pele, mas, em outros, deixe – e depois não pergunte sobre a falta de dentes na nossa boca.

Mark, Richie, Woody, Ridley, Johnny e Lou morreram. Bob continua vivo. Muitos continuam vivos. Muitos estão mortos. E nós estamos aqui procurando alguma coisa que não sabemos bem o que é; como crianças sem mãe e nem pai; crianças que procuram por suas mães e pais; como adolescentes que buscam emancipação, mas ainda são despreparados demais para o mundo. E nós sempre seremos.

Agora é bem tarde, a maioria das pessoas já deve estar dormindo. Eu mesma deveria, mas começou a tocar uma música que gosto muito, e isso basta para continuar acordada: a música, o rock n’ roll e o blues, personificando minhas memórias. Às vezes, eles nos impedem de espetar a agulha; outras, nos incentivam a tomar mais um gole. Nos dizem que “pedras que rolam não criam limo”, mas também sussurram: “to be a rock, and not to roll”. De um certo modo, são a cura para a dor, porque cantam, tocam e a conhecem. Temos isso em comum. Basta isso.

 

SOBRE A AUTORA

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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