CJ Ramone: histórias e percepções a respeito do futuro e dos anos de estrada

Texto: Amanda Cipullo
Fotos: Vinicius de Moraes

Ramones é talvez uma das bandas que mais tenha produzido “casos de Rock n’ Roll” por metro quadrado; o que faz com que seja praticamente impossível encontrar algum fã que não tenha milhares de histórias malucas, que se misturam com suas memórias músicas, para contar.

Comigo não foi diferente. Minha primeira vez, foi exatamente com  o álbum de estreia, intitulado Ramones, e dali para frente a vida nunca mais foi a mesma.

Muitos anos depois de minha descoberta, mais precisamente na segunda-feira de 26/10, no Gillan’s inn English Rock Bar, tive a oportunidade de ir a uma coletiva de imprensa com CJ Ramone, que esteve pelo Brasil para mais uma série de shows, pelo quinto ano consecutivo.

E valeu a pena esperar.

As apresentações dessa nova tour são parte da divulgação de seu segundo álbum, o “Last Chance to Dance”. Com uma pegada menos “sombria” do que a do “Reconquista”, o trabalho pode ser visto como uma continuidade do primeiro álbum.

Ao ser questionado sobre o fato de o álbum físico estar disponível apenas para venda nos E.U.A, explicou que a crise da industria fonográfica faz com que alguns artistas não consigam ter lançamentos em todo o mundo. No entanto, para a felicidade dos fãs, todas as músicas estão disponíveis para download, e os produtos oficiais poderem ser comprados nos merchans feitos nos shows.

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Ao longo da conversa, C.J ressaltou várias vezes o quão divertido é estar novamente no Brasil, lugar em que excursiona por mais tempo durante suas passagens pela América do Sul. E isso não apenas por ter um público fiel, mas também porque por aqui realmente se sente em casa, e pode fazer coisas simples, como passear “de boas” pelas ruas – ao contrário do que acontece em outros países.

Contou-nos ainda que, diferente do que se possa imaginar, no Brasil a galera vai aos shows realmente para ouvir o seu trabalho solo, e não apenas músicas do Ramones, o que é extremamente gratificante para todo o artista que continua na estrada após o fim de uma banda.

E, bem, apesar do nome, ele deixa claro que esse não será seu último álbum! Há ainda o projeto de fazer mais 5 ou 6 cds e, obviamente, continuar excursionando pelo mundo antes da aposentadoria – que ele afirma não estar muito distante.

Dentre tudo isso, o que mais achei interessante, foi o fato de C.J deixar claro que apesar do cansaço, dos anos de estrada e da idade – é, minha gente, ele não é mais um moleque -, pretende finalizar a carreira trazendo ao público sempre algo novo, e não apenas reproduzindo o que já fez durante todo esse tempo. Inclusive, acrescentou que pretende incluir mais elementos heavy metal em seus próximos trabalhos, estilo pelo o qual é apaixonado.

O bate-papo foi proveitoso, cerca de 40 minutos de histórias e percepções do cara que passou de fã a membro da banda. Simpático e extremamente pé no chão, falou com muita clareza sobre suas pretensões para o futuro e impressões do passado, dentre elas: terminar os últimos álbuns, finalizar seu livro, fazer mais shows e finalmente descansar, para ter tempo de curtir os filhos, dar rolês de moto pela América do Norte e, quem sabe, futuramente aprender a tatuar.

A respeito do que ficou para trás, diz que não há arrependimentos. Viveu anos maravilhosos como baixista do Ramones, conheceu o mundo, fez amigos, mas não ficou apegado ao passado. Acima de tudo, soube continuar em frente, independente de qualquer coisa.

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Já quase no final da coletiva, um dos jornalistas perguntou o que ele diria se pudesse ter uma conversa com Joey e Johnny. A resposta foi simples: “não teria mais nada para dizer a não ser obrigado!”. Momento bem legal para quem estava lá.

[Confira no vídeo abaixo]

Arrisco dizer que essa foi, também, uma maneira de CJ mostrar que apesar de todos os mitos a respeito das picuinhas entre os membros, havia uma unidade inegável entre eles.

Sobre seus Casos de Rock n’ Roll, disse que sua banda de cabeceira é Black Sabbath. Ouví-los mudou a sua vida. Entra no Ramones, também, já que antes de ser integrante do grupo, era fuzileiro naval nos Estados Unidos. E, como gosta de lembrar, se não tivesse tido a oportunidade de subir aos palco, teria uma trajetória bem diferente: “Muito provavelmente estaria me aposentando agora”.

Aproveitei para perguntar se havia alguma história peculiar que aconteceu durante as vezes em que esteve no Brasil: “muitas coisas aconteceram enquanto estive aqui, e nenhuma delas posso falar”, respondeu em tom de brincadeira.

Tudo bem, deixemos as histórias obscuras para lá! O importante é que passar parte da tarde com CJ, é com reencontrar um velho amigo para uma conversa de bar. Quase não vi a hora passar!
E, bom, se você está se perguntando se não vou falar daquilo que todo mundo quer saber, ai vai: não, realmente não há chances – pelo menos por enquanto – de uma reunião dos membros remanescente. Mas vale sempre lembrar que todos eles estão por aí levando seus trabalhos solos aos palcos, oportunidade para vê-los, mesmo que separadamente, não falta! E, como o próprio CJ lembrou, essa besteira de “formação original / quase original / formação secundária”, é besteira! Todos são Ramones. Todos são punk rockers. E estão por aí para nos lembrar de que o espírito Gabba Gabba Hey  nunca vai morrer.

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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