BASE ROCK FEST VI, E UMA ANÁLISE SOBRE A IMPORTÂNCIA DOS COLETVIOS PARA O CENÁRIO UNDERGROUD

Texto: Amanda Cipullo
Fotos: Davi Valente

No sexto Base Rock Fest, o coletivo de bandas independentes apresentou suas novas aquisições: Cracker Blues e Desert Dance. E, com muito Rock n’Roll, mostrou que o cenário independente está vivo!

Muita gente acha que a ideia de ganhar dinheiro com música ficou obsoleta. No entanto, isso não é de agora. Ser músico, ou musicista, nunca foi fácil. Sobretudo, em um país que da pouco – ou quase nenhum – incentivo à artistas independentes.
A verdade é que a grande mídia sempre cagou para movimentos artísticos relevantes. Pelo menos até tornarem-se impossíveis de serem mantidos em segredo. Mas nada disso importa, quando um grupo de pessoas que têm vontade de colocar o negócio para funcionar, se junta em prol do Rock n’ Roll.

ESSA É A BASE ROCK!

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Todas as vezes que vou a um show da Base Rock, penso nisso. Os principais movimentos musicais, não só no Brasil, começaram assim: uma ideia, uma reunião, um festival. E bum! Está declarado o caos – no melhor dos sentidos. A partir dai não há mais como voltar atrás: está criado o movimento.

Na sexta edição do festival produzido pelo coletivo, não houve espaços para mimimi de “o público não vai aos shows” – e não digo isso apenas no sentido figurado, não tinha espaço mesmo, a casa estava lotada!
As seis bandas que se apresentaram, simplesmente subiram ao palco e mostraram seus trabalhos.
Isso é Rock n’ Roll, bebê!
E, para quem diz que esse tipo de coisa não é novidade, já adianto: eles não querem reinventar a roda! Querem tocar. Dar a cara a tapa.
Sem frescura. Direto ao ponto.
Tem coisa melhor do que isso?

QUAL É A IMPORTÂNCIA DOS COLETIVOS INDEPENDENTES PARA O CENÁRIO NACIONAL?

Essa pequena pessoa que vos escreve, tem 22 anos de ouvidos calejados. Talvez, menos do que gostaria, mas o suficiente para ter algum critério.
Nos idos de meus 15 (que nem faz tanto tempo assim), costumava acompanhar festivais de novas bandas independentes. Nesses eventos, quase sempre rolava muita falta de organização, problemas técnicos e todas aquelas coisas que fazem com que o cenário underground, aqui no Brasil, usualmente seja confundido com amador. E, em alguns casos, era mesmo. Valia a pena pela curtição, mas era só.

De lá pra cá, os meninos e meninas dessas bandas deixaram de ser “só garotos”. E, com os intempéries da vida adulta, muitos e muitas colocaram a música em segundo plano, provando que, de fato, tudo aquilo era realmente só curtição, e reforçando a mítica de que trabalhar com música é coisa de desocupado – gente grande tem emprego sério e deixa o palco apenas como hobby, diz a lenda.
Nunca abandonei o Rock n’ Roll, apenas o cenário de novas bandas underground. Frequentava um ou outro show, e era só. Já havia visto muita coisa ruim. Muita fanta se passando por Coca-Cola. Muita gente que acreditava que rock é apenas usar um monte de spikes, rebites, e inalar pó como se fosse aspirador. A música era segundo plano. Isso sempre me irritou, até que conheci a Base Rock.

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Descobri o projeto no final do ano passado, pouco tempo antes do primeiro festival. Achei a ideia interessante e resolvi deixar meus preconceitos adolescentes de lado, afinal, se eu estava produzindo um blog independente, nada mais sensato do que fazer a cobertura de bandas também independentes.

Lembro-me de que naquele primeiro show, a expectativa e o nervosismo dos meninos eram grandes. Eles não sabiam o que viria dali. Nem eu.
Conversei com alguns, e todos tinham uma vontade imensa de fazer o projeto andar. Havia organização, profissionalismo, e todas aquelas coisas fundamentais para mostrar que underground não é amador. Gostei, e gostei muito. Acima de tudo, o que mais me chamou atenção foi a união entre as bandas. Sim, os estilos eram diferentes, mas não havia nenhum tipo de competição entre eles. Nada de estrelismo e mimimi. Desde o começo era “um por todos, e todos pela Base”. Algo realmente difícil de se ver, principalmente, no meio musical, em que sempre tem alguém querendo mostrar que a sua pica é maior do que a dos outros.

Desde então acompanhei os shows de algumas bandas do coletivo em separado, até que rolou a possibilidade de, mais uma vez, estar em um festival com todas elas reunidas. Além disso, era a estréia de duas novas aquisições ao grupo: Cracker Blues e Desert Dance, que uniam-se a Mattilha, Trezzy, Sioux 66 e Sun. Tratava-se de um momento importante para ser registrado.

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E TEVE PARA TODOS OS GOSTOS!

Isso tudo aconteceu dia 15/08, no Ozzie Pub. A casa estava lotada e não pude deixar de me lembrar do primeiro evento. O público cresceu e eles também. E teve show para todos os gosto, uma prova de que preconceito de nicho é uma das maiores besteiras inventadas no rock n’roll.

Apesar de não ter nenhum tipo de envolvimento com a produção do projeto, senti um orgulho quase materno de todos eles. Sabe aquela coisa de: “os meninos estão crescendo?”. É, pode parecer piegas, mas foi bonito pra caramba!

VEM COLAR NA GRADE!

É claro que sempre existiu, e sempre vai existir, gente se empenhando em profissionalizar a cena underground. Isso não é novidade. Existem muitas barreiras para fazer isso acontecer. É necessário dinheiro, tempo e paciência. Muita paciência! Viver de música não é fácil, baby. Ainda assim, a Base Rock chegou ao seu sexto festival, fez seu público aumentar e tem mostrado que com comprometimento e união, é possível fazer com que as coisas caminhem, evoluam e dêem frutos. Eles são incansáveis. Trabalham duro e não estão aí para brincadeira. Essa é a maior diferença!

E, se há muita gente que fica cega com os holofotes do palco, para eles o negócio é diferente: todos sabem que existe um longo caminho pela frente, não são moleques deslumbrados. Trata-se de gente grande, fazendo som de verdade, conciliando a “vida adulta”, com a agenda de shows. Fazem bonito e não vão parar por aqui.

É, claro, a ideia é que o movimento cresça e chegue a grande mídia, afinal de contas, todo mundo precisa de dinheiro para viver. Nenhum deles nega isso. Nem eu. Nem você, provavelmente.

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E, sabe, se você é do tipo de pessoa que reclama que aqui no Brasil o Rock n’Roll não tem força para tanto e etc, talvez esteja na hora de desejar que essa galera – e todas as outras que trampam duro pelo seu som – consigam alçar vôos maiores. Ganhar reconhecimento em âmbito nacional, ou tocar na novela das 20h00, não é “trair o movimento”, mas sim uma forma de mostrar que Rock n’ Roll é para todos, e justamente por isso, nunca vai morrer. E, se já existe união entre as bandas, que haja também união entre o público. No final, é só assim que todo mundo sai ganhando.

E que venha muito mais! Porque vontade de fazer muito barulho por aí, não falta para esses meninos.

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Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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2 comentários Adicione o seu

  1. VivixsSousa disse:

    Boa noite Amanda!!!! Já ganhou mais uma seguidora, adorei o blog !!!!

    Parabeeens 😉

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  2. VivixsSousa disse:

    Boa noiteee Amanda, já ganhou mais uma seguidora .. Adorei o blog, parabeeens !!!!

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