ESDRAS: ATITUDE HARDCORE E REFINAMENTO HEAVY METAL

Via: Som do Darma
Press Release

A estética está para o rock assim como a batuta para o maestro. Como imaginar Elvis sem seu famoso figurino? Ou como conceber a obra dos Beatles sem levar em conta suas diferentes fases e trajes? Depois vieram os hippies, punks, headbangers: cada integrante
desses movimentos poderia ser identificado sem que uma sequer nota musical fosse tocada.

Musicalmente situado entre o hardcore e o metal, o Esdras é uma banda do interior paulista que, neste quesito, faz um trabalho artisticamente plural. Considerando sua obra sob diferentes níveis estéticos e conceituais, os músicos agregam ao seu trabalho referencias da cultura urbana como o skate e o universo da tattoo.

Formado em 2010, os aspectos extra-musicais sempre estiveram presentes.

“Éramos um bando de moleques que ouvia som pesado e andava de skate”, lembra o baixista Cádio Michelsen. “É natural que hoje nossa música siga por esse caminho. Não foi
nada planejado, é apenas o reflexo do ‘lifestyle’ no qual crescemos. O universo da tattoo, por exemplo, sempre esteve presente no nosso cotidiano, tanto é que hoje dois integrantes da banda são sócios num estúdio de tatuagem.”

O “lifestyle” ao qual Cádio se refere era tão intenso que os primeiros shows do Esdras aconteceram justamente durante campeonatos de skate.

”Nós tocávamos enquanto a galera andava na pressão na pista, o som empurrava e rolava
uns bate-cabeças”, lembra o músico.

A estreia do Esdras em estúdio se deu com a recém-lançada demo Mais Próximo do Fim. De acordo com Cádio, todas as faixas do trabalho foram desenvolvidas ao longo dos anos.
” Snake e Chuva de Fogo estão entre as mais antigas e passaram por muitas mudanças. Espinhos e Maria da Penha também foram compostas há um certo tempo, mas ainda estão bem próximas das ideias originais”. Mais Próximo do Fim foi produzido por Tiago Hospede (guitarrista da banda Worst). O produtor procurou não interferir nos arranjos criados pela banda.

“O Hospede atuou mais como engenheiro de som. Passamos meses fazendo desde a captação até a mixagem e masterização. Foi trabalhoso porque no meio do percurso nós trocamos de baterista e todas as partes de batera tiveram que ser gravadas novamente.”

Se utilizarmos da estética para definição do que é belo, o fator tempo será primordial. O que foi considerado belo nos anos 60 e 70, não manteve a mesma qualidade nos anos 80 e 90 e  assim por diante. Musicalmente a ordem segue a mesma, e a cada momento temos novos segmentos que são melhores aceitos pela geração contemporânea. Isso dito, por mais que o Esdras retire do hardcore e do metal suas principais referencias, e que o gênero metalcore – que representa essa fusão – seja a definição do “belo musical” para as novas gerações, o Esdras não se permite à limitação artística em proveito do momento.

“É comum que uma banda se apoie num rótulo para definição de sua identidade “,comenta Cádio. “O metalcore é a bola da vez e quando muitos grupos começam a explorar o mesmo segmento, ele infla e se distancia de sua essência. Portanto, não sei dizer se o som que fazemos é ou não metalcore. O que posso dizer é que nossas referencias vêm do hardcore no sentido da atitude, pegada do som e letras, enquanto que do metal trazemos a parte melódica, técnica. Somos um pouco desses dois: atitude hardcore e refinamento metal”.

A atitude hardcore do Esdras está definitivamente explícita nas letras de Mais Próximo do Fim. E o idioma é um facilitador.

“Sempre quisemos escrever letras em português porque mostram de onde saímos. É mais genuíno, no nosso caso. Chegamos mais próximos do público também. Muita gente que tem seu primeiro contato com nossa música se surpreende dizendo que é pesado, mas consegue entender e cantar junto. Isso garante que nossa mensagem está sendo entendida”.

E essa mensagem, ainda segundo Cádio, reflete a forma como os cinco integrantes da banda olham para o mundo de hoje:

“Com Mais Próximo do Fim estamos falando da humanidade ou a falta dela. Para onde estamos levando o planeta? Vemos coisas ruins acontecendo e achamos que o mundo enlouqueceu. Pode ser que o fim esteja mesmo próximo e ninguém se deu conta, estamos
todos alienados. Ou somos nós que enlouquecemos por pensarmos assim?”

Se o título em si tem forte embasamento filosófico, as letras são mais diretas.

“O título Snake é autoexplicativo: sabe aquela pessoa que finge ser amigo para te derrubar? Já Chuva de Fogo é o sistema que te suga e estimula a fazer o mesmo, mas resistimos.  Espinhos fala dos caminhos e suas dificuldades, enquanto que Maria da Penha conta a história de todos os vermes que batem em mulheres e que não merecem respeito. Por fim, Pote de Ouro dialoga sobre a paranóia que a religião cria na cabeça das pessoas”.

Em termos de palco, o Esdras já coleciona apresentações ao lado de bandas como Cavalera Conspiracy, Ratos de Porão, Dead Fish, Dance Of Days, Garage Fuzz, Project 46, etc. A já comentada pluralidade artística permite ao Esdras fazer shows com artistas tão distintos.
“Acho que essa soma faz com que a banda possa chegar tanto no cara que gosta do hardcore nova-iorquino ou no fã de metal extremo. Até mesmo essa molecada que anda de skate e ouve Pantera vai curtir o Esdras”. Cádio finaliza com detalhes do primeiro álbum “full” do Esdras que está em pré-produção:

“Mudanças ocorrerão, mas sempre para melhor. Só é mudado o que pode ser melhorado. As músicas novas tendem a serem mais porradas como Snake e Chuva de Fogo, tanto na pegada quanto na execução. Em breve começamos as gravações”.

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