Por onde andam os festivais underground?

Texto e fotos: Amanda Cipullo

Já falamos sobre isso por aqui, mas quando a ideia é legal, vale a pena ir mais a fundo.

Inspirados em um dos maiores festivais de música alternativa da Europa, o Wave Gotik Treffen, Luciana Tonoli, Alex Twin e Marcos Teixeira de Lima, criaram uma espécie de versão brazuca do evento. A primeira edição, o Wave Summer Festival aconteceu no inicio desse ano, em Cotia.

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Obviamente, produzir um evento desse porte, não é fácil, e os motivos para isso são inúmeros. Como eles mesmo dizem, diferente do público europeu, o brasileiro não está acostumado a se aventurar musicalmente em festivais menores, quando não conhecem todas as bandas do lineup. No entanto, o Wave Summer teve uma repercussão legal e foi isso que fez com que o trio marcasse a data do Wave Winter Festival para seis meses depois.

OK, MAS O QUE É O TREFFEN?

Trata-se de um evento de música e arte, que acontece anualmente em Leipzig, na Alemanha. Criado no início dos anos de 1990, hoje atrai multidões, que se reúnem na cidade em busca das inúmeras atrações que rolam. Sim, inúmeras atrações! Lá você pode tomar um café da manhã colonial, dar um rolê pelos stands que vendem artefatos medievais, góticos e culturais, e curtir o som das mais de 100 bandas que se apresentam durante os 4 dias, pertencentes a estilos como: Gothic rock, EBM, Darkwave, Neofolk, Neoclassical, Noise, Músical medieval, Synth pop, Experimental music e Death Wave.

Pessoas de todo o mundo guardam um espaço em suas agendas para estarem em Leipzing durante o feriado de Pentecostes, quando ocorre o festival, o que faz com que você encontre por lá crianças, velhinhos, jovens e executivos coexistindo pacificamente no mesmo espaço. Uma diversidade cultural que atrai curiosos e amantes da música, fazendo com que o evento cresça mais a cada ano.

E O QUE TÊM ROLADO POR AQUI?

Alex, Marcos e Lu, são veteranos da cena. Ela já trouxe várias atrações internacionais para o Brasil. Alex é dono da gravadora Wave Records. Marcos, empresário; além disso, os meninos fazem parte da banda Pecadores. Juntos, os três criaram o Wave Summer Festival, que aconteceu dia 07 de fevereiro, em Cotia. E agora finalizam os preparativos para o Wave Winter Festival, que acontecerá dia 29/08, em quatro casa de shows diferentes, e simultaneamente, em São Paulo (saiba mais aqui).

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A ideia, é mesclar bandas da cena underground nacional e internacional, de modo que a galera tenha a oportunidade de conhecer novos sons, curtir o que já gostam, e trocar experiências.

A proposta, como diz o press-release, é: “reunir o público dos 4 cantos do país e da América Latina (já que cruzar o oceano para assistir grandes festivais não é uma tarefa fácil para muitas pessoas)”, e tornar-se um ponto de encontro para bandas, expositores e amantes da música alternativa. Algo muito semelhante ao que rola no Treffen, entretanto, em um formato menor.

“A gente se baseou mais ou menos nisso”, diz Alex, referindo-se ao Treffen “Só não é igual porque aqui não tem tanto público para isso”, completa Marcos: “Lá, tocam bandas de vários estilos diferentes juntas. Desde as mais conhecidas, tipo Placebo, até as mais alternativas. Então, é tudo misturado! E é isso que a gente gostaria que fosse aqui, mas ainda é bem complicado “.

A conversa que tive com o grupo de amigos rendeu mais de 40 minutos de gravação, nos quais, entre muitas coisas, falamos sobre a carência de festivais assim no Brasil, e a falta de incentivo para a produção dos mesmos. É tudo feito na cara e na coragem. Demanda tempo, dinheiro, energia, e pouca – ou nenhuma – ajuda de órgãos relacionados a cultura, o que faz com que a cena undergroud brasileira seja constantemente ameaçada.

“Mas, também, esse não é um negócio de todo novo. A gente sempre procura mencionar isso. Tem um amigo nosso (Maurício Mângia), que por volta de 1998/1999 começou a produzir um festival chamado Thorns Gothic Rave. Em 2006, ele infelizmente faleceu, e o festival acabou. Então, para toda essa galera que acompanhava, ficou uma lacuna”, diz Marcos. Para quem não se lembra – ou não é dessa época -, o Gothic Rave era um evento dedicado à música alternativa, sobretudo e obviamente, ao gótica e pós-punk, que acontecia anualmente na região do ABC. Começou pequeno, mas em sua última edição contava com cerca de 6 mil pessoas. Mângia, produtor e idealizador, conseguiu manter vivo e pulsante o movimento underground durante os anos em que se dedicou ao Gothic Rave. Pensando nisso, e além de tudo o que já foi mencionado, a ideia dos três amigos é, também, não deixar que essa chama se apague.

No final de nossa conversa, me peguei pensando o quanto esse mundo é curioso. Se por um lado existem milhares de órfãos de eventos dedicados à música alternativa, que reclamam constantemente da falta de festivais para seus “rolês”, há também a galera restrita aos “Lollapaloozas” da vida, que frequentam apenas  “eventos da moda” – mesmo que não conheçam bem o lineup -, mas se recusam a aventurarem-se em festivais de menor porte, com a justificativa de que não conhecem o som.

E, bem, não importa ao certo a qual dessas categorias você, querido leitor, pertença – e, talvez, não pertença a nenhuma delas – mas só queria lembrá-lo que tem gente por ai trabalhando – e muito – para suprir essa carência de festivais underground, com música de qualidade, e essa pode ser a oportunidade de abrir a sua cabeça para um mundo novo, ou simplesmente relembra que existe vida além das casas noturnas alternativas de São Paulo – cada vez mais escassas, diga-se de passagem – e que isso pode ser bem legal.

Os ingressos do Wave Winter Festival já estão à venda com preços promocionais. Podem ser adquiridos online (http://www.wavewinterfestival.com.brhttp://www.clubedoingresso.com e nos seguintes endereços físicos: Mr. Monster – Galeria do Rock – Av. São João, 439 – República SoulShadow – Galeria Presidente – Rua 24 de Maio – República Bilheteria do Carioca Club – Rua Cardeal Arcoverde, 28 – Pinheiros FORMA DE PAGAMENTO: dinheiro ou cartão de crédito (à vista ou em até 3 vezes, com taxa da operadora).

Para mais informações, acesse:

https://www.facebook.com/Wavewinterfestival?__mref=message_bubble

http://www.wavewinterfestival.com.br/

Sobre a autora

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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