Higher: do Jazz ao Heavy Metal

Via: Som do Darma
press-release

Cezar Girardi e Gustavo Scaranelo são dois músicos profissionais bastante experientes e respeitados no cenário da música brasileira, especialmente nos campos do jazz e da música instrumental. Entretanto, nutrem outra característica em comum: a paixão pelo heavy metal.

Em 1995 fundaram a Second Heaven, banda que não deixou registros e foi desativada dois anos depois. A dupla passou então a se dedicar aos estudos acadêmicos de música, o que acabou por levá-los para outros segmentos onde fizeram carreira. Mas a paixão pelo metal manteve-se pulsante durante todo esse tempo. Depois de uma conversa, decidiram reunir-se para tocar e compor heavy metal novamente. O resultado? Uma nova banda: Higher!

A Higher traz enraizada algumas características singulares: é uma banda formada única e exclusivamente pela paixão dos músicos pelo heavy metal, ou seja, o trabalho é livre de qualquer pretensão comercial ou mercadológica que eventualmente pudesse interferir no aspecto artístico; essa própria experiência em outros estilos naturalmente conferiu-lhes uma musicalidade deveras original, repleta de identidade, como nunca se ouviu antes! Inconclusa será a tarefa do crítico musical que ousar rotular a banda dentro de qualquer subsegmento preexistente no heavy metal.

“Quando nos reencontramos, tivemos dificuldade em compreender qual seria o resultado estético da retomada desse trabalho autoral de metal”, revela o guitarrista Gustavo

Scaranelo. “Havíamos assimilado muitas influências e não seria possível retomar a mesma linha anterior. Mas éramos bastante convictos do trabalho que havíamos feito quase 20 anos antes. Esse foi então nosso ponto de partida: retomar as antigas composições com uma nova roupagem, além de compor material novo. Eu estava extremamente cativado por uma forma de metal mais agressiva, apesar de completamente imerso no universo harmônico do jazz; já o Cezar, sempre teve uma predileção pelas composições melodiosas dos gêneros da música elaborada. Colocamos nossas diferenças e semelhanças numa grande soma. A Higher nasceu da nossa sincera vontade de produzir algo com o coração inspirado pelas alegrias que a música já havia nos dado. O resultado é essa mescla de agressividade e sutilezas musicais.”

Para completar a formação, fez-se necessário outros músicos de experiência comprovada, como é o caso do baixista chileno Andrés Zúñiga (ex-professor do EM&T e colunista da revista Bass Player) e o baterista Pedro Rezende (que estudou com Virgil Donati na Austrália). Recentemente também recrutaram o guitarrista Felipe Martins de apenas 16 anos.

“Quando nos juntamos para “ressuscitar” nosso projeto de metal, considerávamos os membros do projeto anterior”, relembra Gustavo. “Mas somente eu e Cezar havíamos seguido a carreira profissional, o que resultaria numa incompatibilidade. Começamos então a mostrar a pré-produção para alguns músicos que admirávamos. O Andrés chegou dessa forma, sempre que tínhamos algo novo mostrávamos a ele, até que um dia ele se ofereceu para gravar os baixos. É um músico extremamente valioso, experiente e multi-instrumentista.

Já havia visto o Pedro tocando metal, e, apesar de saber que ele andava se aventurando pelo jazz e pela música brasileira, quando o encontrei numa ocasião perguntei: “como andam seus dois bumbos?”, e ele me respondeu, “mais rápido que nunca!”. O resultado já se conhece. O Felipe era meu aluno na especialização de jazz da EM&T, o conheci quando ele tinha apenas 12 anos. Ele não participou das gravações, foi escalado no momento em que o
disco precisava ir para o palco. Apesar da pouca idade, ele tem competência para fazer parte do time. Trabalhamos nos moldes profissionais, mas ganhamos uma verdadeira família.”

Gravado em São Paulo no Fusão Studios com produção de Thiago Bianchi (Shaman, Noturnall), o disco de estréia autointitulado chega agora ao mercado com a mesma expectativa de um grande nome do metal nacional, embora seja uma banda recém-formada.

“Conhecemos o Thiago através do Fernando Quesada, que ouviu a pré-produção e ficou interessado. Havíamos iniciado as gravações com Guilherme Gazaffi e o próprio Fernando, atuando como técnicos, em diferentes estúdios. Quando chegamos ao Fusão, rolou uma sintonia muito legal com o Thiago. Eu e Cezar já havíamos feito todo trabalho de produção, mas precisávamos de alguém para “entalhar essas formas”. O Thiago mixou e masterizou o disco, colocou nossa criação no alto e deu a ela uma incrível aparência sonora.”

A capa do álbum é assinada por Carlos Fides (Noturnall, Shaman, Fire Shadow) e, segundo Gustavo, reflete o conteúdo das letras e do conceito ideológico dos integrantes do Higher.

“Quando decidimos iniciar esse projeto, nos perguntamos: de quais ideias nossa música seria veículo? A conclusão foi instantânea: aproveitar a vida e seus desafios para tornar-se uma
pessoa melhor é algo que eu e o Cezar sempre valorizamos, e, para nós, isso talvez justifique a vida humana. Desse conceito nasceu o nome Higher: o ser humano lutando por uma condição mais elevada. A força e o vigor que o heavy metal sempre nos transmitiu fez dele um veículo digno. Não queremos passar a ideia de que estamos nessa condição mais alta, apenas estamos nessa briga pela autotransformação. Não somos detentores de nenhuma
verdade, e esperamos que as pessoas recebam nossa mensagem e nos vejam como cúmplices nessa jornada da evolução humana. O respeito é o princípio de qualquer postura madura, é possível, e necessário, discordar sem desrespeitar. Todas as letras foram escritas depois dessas definições, a concepção gráfica do disco e a composição do material novo também foram baseados nessa ideia. Não existe Higher sem esse conceito.”

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