Especial Semana do Rock – parte IV

Edição: Amanda Cipullo

Chegamos ao final do especial “Semana do Rock“.

E, bem, se você pensa que esse negócio de trabalhar com jornalismo musical é só festa e alegria, muito se engana. Mesmo quem já tem vários anos de estrada, às vezes passa por alguns sustos antes das entrevistas.

Essa é a história do jornalista Tony Monteiro, e o que rolou no dia em que ele estava frente a frente com seu grande ídolo Johnny Van Zant.

Simple Man
De: Tony Monteiro

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“Em 2011, teve aquele festival, o SWU. No casting estava o Lynyrd Skynyrd, que é uma banda que eu gosto muito, e acompanho desde antes do acidente, em 1973.  Então, é lógico que fui.

Através da gravadora, acabou pintando a oportunidade de fazer uma entrevista de 10 minutos com o cantor da banda (Johnny Van Zant), o que é uma coisa raríssima, principalmente com vocalistas, porque antes do show geralmente eles querem ficar quietos  –  aliás, as duas melhores entrevistas que eu fiz foram antes de shows: essa, e uma com o Alice Cooper, em outra ocasião.

O festival aconteceu em Vinhedo, uma cidade próxima a Campinas,  em um lugar descampado, sabe? E, não sei se era para mostrar serviço, mas as coisas ficavam muito longe. Por exemplo, do palco até o bar era uma caminhada imensa. E da área em que o público ficava, até o camarim, também. Como era um lugar ermo e mal iluminado, foi uma espécie de rally dos sertões para chegar até o camarim.  Bom, enfim, consegui chegar no horário combinado e o assessor da banda me passou para falar com o Johnny Van Zant.

Naquele dia, eu estava com uma camiseta do Lynyrd e, claro, era pirata, dessas compradas na Galeria do Rock.  Quando o encontrei, Van Zant veio em  minha direção, nem falou bom dia nem nada, só disse: ‘onde você arrumou essa camisa?’.  Gelei!  ‘pronto, o cara já detectou que a coisa é pirata. Já sujou pra mim. ‘, pensei. E respondi a ele que  havia sido um presente – e é verdade, eu tinha ganhado da minha filha. Então, ele virou e disse: ‘cade o Marky?’.

Ai pronto,  já imaginei que ele já ia chamar o segurança, e eu iria perder a camiseta, a entrevista e, se bobear, ainda apanhava!

De repente, chega o tal Marky, um cara tampinha,  um metro e sessenta e pouco, com um cabelo divididinho no meio, sabe? É, não era segurança, era o cara do merchandising deles. Então, ele vira pro Marky e diz: ‘olha essa camiseta que bonita, porque a gente não faz uma com essa estampa?! Olha que legal!’

Bom, para quem pensou que ia apanhar, até que  sai no lucro! E foi muito legal, ele é um cara super simples,  e não se recusou a falar sobre nenhum assunto. É um cara extremamente simpático e simples, não é a toa que a música que ele mais gosta de cantar é Simple Man. E é sempre bom descobrir que o cara que você gosta, é assim, igual a você.”

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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