Especial semana do Rock – parte III

Edição: Amanda Cipullo

Como costumo dizer: o rock n’roll já me salvou inúmeras vezes. Dessa, não foi diferente.

Em meio a crises de (des)ordem existencial, recebi uma mensagem em resposta há uma pergunta que havia feito dias antes. O autor da resposta era Kim Kehl, guitarrista e rock n’roller, cara que já viu e viveu tudo o que você pode imaginar – e o que não pode, também.  No texto em que recebi, havia várias dessas histórias, e ai eu entendi que era mais uma vez o bom e velho rock n’roll me salvando; que a desordem existencial sempre pode ser abafada por um bom solo de guitarra.

Esse negócio de contar e descobrir os casos dos outros, sempre faz com que a gente entenda um pouco melhor os nossos próprios. Exatamente por isso, disse a ele que publicaria todo o texto na íntegra. E prometo, num futuro não muito distante, uma entrevista que destrinche melhor tudo o que lhes mostro a seguir. Deixo agora de mimimis e enrolação, e os entrego para – algumas partes – da vida rock n’roll do grande Kim Kehl.

Ele é o Rock n’Roll
De: Kim Kehl

IMG_8287

“Realmente, com uma estrada tão longa, tenho histórias pra contar…Algumas, diria até a maioria, tem não só Rock n’ Roll, mas também sexo & drogas, então ficaria difícil de contar sem ferir alguma suscetibilidade. Isso já elimina uma boa parte delas, e outra boa parte, justamente e por causa, não lembro totalmente. Mas alguns fatos que testemunhei posso contar, pois foram importantes e gosto de recordar.

Bem lá no começo da minha caminhada, ainda criança até, fui a uma das edições do famoso Festival da Record, e vi os Mutantes acompanhando o Caetano Veloso. Mais adiante, em 1971, os vi novamente, desta vez no teatro do Colégio Rio Branco, tocando ao vivo as musicas do álbum ‘Ando Meio Desligado’.
Isso foi muito impactante, e o desejo de fazer musica ficou irrefreável desde então. Comecei a tocar violão.

Começamos, eu e os amigos, à frequentar todos os show da época. Pegávamos o ônibus no Largo de Pinheiros para ir ao Embu e ver as apresentações memoráveis dos Novos Baianos em praça pública. Assistíamos aos Mutantes, Som Nosso de Cada Dia e O Terço no Teatro Bandeirantes, na Brigadeiro Luis Antonio.

Vi a Rita Lee e as Cilibrinas no Ruth Escobar, e logo depois, os primeiros shows dela com o Tutti Frutti. Assisti aos Secos & Molhados. Fui ao show do Alice Cooper em 1974… 2 vezes!

Conheci o Oswaldo Vecchione, do Made in Brazil, na loja Hi Fi da rua Augusta, onde ele era o gerente, antes que a banda tivesse lançado seu primeiro LP (nasceu aí nossa amizade, que me levou mais tarde a tocar com o Made).

Toquei com minha 1° banda na Tenda do Calvário (sim, conheci o Magnólio), em 1975, no dia em que uma mega blitz levou todos os roqueiros para a delegacia.

Minha banda, Lírio de Vidro, abriu os shows da Patrulha do Espaço em 77/78, e o primeiro álbum deles foi ensaiado no meu estúdio, na garagem da casa da minha avó. Colávamos nos mesmos, de madrugada, os cartazes dos shows, que encomendávamos, em milheiro (e com o $ que tínhamos no bolso), na Gráfica Cinelândia.

Entrei para o Made in Brazil no final de 1979, gravei com eles o album ‘Minha Vida é o Rock and Roll’ nos estúdios da gravadora RCA na rua Dna Veridiana, em Sta Cecília SP. Toquei com Wander Taffo, Babalu, Juba da Blitz, Tibet, os músicos da Tutti Frutti nas gravações e shows que se seguiram à esse LP.

Conheci e fiz baladas com o Nelson Gonçalves, Antonio Marcos, Ezequiel Neves… e tantos outros personagens da época.. Alguns já nos deixaram na saudade.

Vi o Julio Barroso fazer as primeira reuniões que deram origem a banda Gang 90 & Absurdettes na Paulicéia Desvairada, onde ele era o DJ, à tarde, quando passávamos o som com o Made; e as primeiras apresentações do Lulu Santos (ainda cabeludo) e do Ritchie em carreira solo em SP. Excursionei com o Made por quase todos os anos 80.

Formei em 83 a banda Mixto Quente, a 3° produção do selo Baratos Afins, do querido Luiz Calanca.

Comecei à dar aulas de música em 81 e pus pra tocar uns 40 guitarristas nos anos subsequentes…Alguns se tornaram exímios e alcançaram bastante sucesso. Orgulho-me.

Em 1990 frequentei as jams que deram origem a banda Nasi & Os Irmãos do Blues no Aeroanta. Essa banda fez muita musica boa e shows importantes! Foi quando comecei a construir as bases do que é hoje meu ‘trabalho solo’, a banda Kim Kehl & Os Kurandeiros.

Em 1998 entrei para a banda que acompanhava a dupla sertaneja Rick & Renner, então desconhecida, mas à beira de estourar seu sucesso ‘Ela é Demais’. Esse período não se refere ao Rock propriamente, mas foi muito importante. Excursionei com essa dupla por 8 anos, em mais de 1000 shows e 3 e tours internacionais. Foi o ápice da minha carreira como acompanhante, onde tive a oportunidade de testemunhar um sucesso popular de dimensões Beatlemaníacas. Imagine as histórias…

De lá pra cá o caminho tem sido mais calmo, mas ainda assim bastante intenso, afinal se estou por aqui ainda, foi porque consegui administrar a loucura.

Esses foram meus passos até aqui. E as histórias continuam!”

 

Sobre a autora

Amanda Cipullo
11760115_10203186896352189_9001298901733721022_n
Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

Anúncios

1 comentário Adicione o seu

  1. Kim Kehl disse:

    Obrgd Amanda Cipullo pela chance de poder contar um pouco das minhas histórias… e se elas te ajudaram de alguma maneira, fico mais feliz ainda!.. bjz.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s