A História de Hendrix em Roupas, Instrumentos e Rock n’Roll

Fotos e texto: Amanda Cipullo

Durante muito tempo, essas grandes exposições, sobretudo, as relacionadas a Rock n’Roll, eram um sonho distante para nós. E quando digo distante, não é metáfora

Você se lembra? Nós tínhamos que viajar  ou esperar que algum amigo(a) voltasse de viagem (torcendo para que as fotos fossem boas), para podermos finalmente ver determinadas coisas. Pois é! No entanto, já faz alguns anos que essa coisa toda de admirar de perto ” a guitarra que fulano usou no show x”, tem sido um sonho menos impossível.

Ainda assim, apesar da recente facilidade para ver e interagir com fotos, raridades e etc, sempre tem a galera que insiste em achar algum motivo para reclamar: “ah, tem o amplificador, mas não tem o cachimbo que ele usava para fumar aquela maconha hidropônica especial”. Besteira! É sensacional ter acesso a peças que carregam tanto significado histórico! Não importa se o acervo daquela cidade no sul da França é maior. Nesse sentido, toda a experiência é válida, independente do tamanho do acervo. Afinal, quando que nós iríamos pensar,  por exemplo, que poderíamos ter acesso ao pedaço da guitarra que Jimi Hendrix botou fogo em Monterey? Ou então, aos cartões postais que ele escrevia para o pai?

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Essas são algumas das coisas (fora a guitarra usada Woodstock, as roupas etc, etc), que vi na semana passada (12/06/2015), na exposição Hendrix Hits London, que retrata por meio de fotos, roupas, instrumentos, cartas e acessórios, a passagem de Hendrix pela Inglaterra, fato que fez com que sua carreira ganhasse novos rumos – haja vista que em seu país de origem, nos Estados Unidos,  nunca tenha alcançado tanto sucesso quanto merecia, enquanto estava vivo.

Pensei muito sobre o que falar a respeito de todas as peças, mas decidi que não vou falar nada. Mas como pode isso? Como pode fazer uma resenha e não falar sobre as peças? Tá errado, moça!

Não senhores, não está errado e lhes explico: fui a exposição com uma certa expectativa sobre o que iria encontrar e… Sim, as coisas estavam realmente lá! Só que, porra, eu teria me divertido muito mais se tivesse cruzado, despretensiosamente, com a Fender usada no show de Woodstock, assim, no mais puro dos acasos, entende?

Bem, acho que eu estraguei um pouco a surpresa, desculpem, mas o fato é que independente de qualquer coisa, essa é a experiência que você, fã de Hendrix e de rock n’roll, tem que viver sozinho(a), acompanhado apenas de suas próprias memórias musicas e sem expectativas em excesso.

Sim, é verdade, sempre tem uma coisa ou outra que acabam ficam de fora. Por exemplo, não tem a réplica que fizeram do pinto de Jimi – sim, fizeram isso -, mas tem vários outros artefatos muito mais interessantes. Aliás, destaque para a grande quantidade de roupas usadas por ele, que a primeira vista podem parecer não tem nada a ver com música, mas têm. E muito. Os elementos indianos, que aparecem em algumas das canções do Sr. Hendrix,  já estavam no guarda-roupas e na cabeça dele, muito antes de se tornarem acordes em sua guitarra. Ta vendo só? As roupas não são apenas roupas, mas também, uma forma de Hendrix expressar um pouco das misturas sonoras que coexistiam dentro dele.

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De um modo geral, a curadoria da exposição conseguiu fazer um trabalho bem legal! A única coisa que fiquei pensando, é que tudo poderia ser mais bem ambientado. Em alguns momentos, senti-me como se estivesse dentro de num museu e, sim, museus são bem legais, mas acredito que a experiência de estar em contato com todas essas coisas, nos remeta a um universo muito particular, no qual, nossas próprias descobertas musicais são refletidas nas peças que ilustraram a vida do artista. Logo, trazer para o público um ambiente acolhedor, é parte importante para o  nosso envolvimento com tudo que é exposto. Bem, mas isso também pode ser só uma percepção emocional de redatora nostálgica e que gosta de histórias.

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Ah, estava quase me esquecendo! Por falar em histórias, tenho uma boa! Pouco antes de ir embora, resolvi ser aquela pessoa chata, que faz a fatídica pergunta chata: “e ai, tá gostando da exposição?”. E, claro, para exercem bem esse papel, eu teria que interromper a conversa de duas pessoas, se não não estaria completo! Foi justamente o que fiz. Os amigos em questão (não os fotografei, mas juro que não são imaginários!).

Assim como eu, também achavam que faltava algo mais intimista. No entanto, acredito que a deles percepção viesse de um fundamento maior. Afinal, os dois se conheciam desde aquela época em que música era compartilhada em fita k7. E, foi justamente por meio desses compartilhamentos que descobriram Jimi Hendrix, ainda na adolescência. Contaram-me, ainda, que fazia muitos anos que não se viam. E foram se encontrar justo aonde?! Pois é, na exposição!

No final, talvez esse seja o mais interessante de ir a eventos como esse: a possibilidade de nos reencontrarmos com as músicas que embalaram tantas das nossas lembranças! E é sempre um pouco emocionante reconhecer parte da nossa  própria história, nas peças e instrumentos  dos artistas que admiramos, e que produziram  algumas das obras que, definitivamente, mudaram as nossas vidas.

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Aliás, essa história toda me fez lembrar da época em que eu ouvia Hendrix na casa de um amigo da escola, junto com todas a loucura hidropônica que nos fazia viajar entre uma música e outra. Seria engraçado encontra-lo na exposição, mas acredito que ele não deva mais se lembrar de mim. Bem, deixa pra lá, isso é outra história.

Para quem tiver interesse em ver a exposição:

Hear My Train a Comin`: Hendrix Hits London
Quando: 10/6 até 30/7 das 10 às 22h, de seg. a sab. /  dom das 11 às 20h. A bilheteria fecha um hora antes da exposição.
Onde: Espaço JK 3° Piso, Av. Presidente Juscelino Kubitscheck 2041
Ingressos: R$40,00 inteira – R$20,00 meia (seg a qui) / R$50,00 inteira – R$25,00 meia (sex a dom). Visita monitorada para 4 pessoas – R$180,00
Garanta o seu ingresso clicando aqui ou no 2° piso do JK Iguatemi, próximo a Livraria da Vila.
Mais informações da exposição: (11) 3152-6810
Mais informação sobre a compra de ingressos: (11) 2626-0931

Sobre a autora

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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