Evandro Mesquita & The Fabulous Tab: noite cheia de clássicos no Theatro Net

Texto: Amanda Cipullo
Fotos: Aline Rizzato

“Amor, pede uma porção de batata-frita?”

Se você não conhece Evandro Mesquita da tevê (o que é meio impossível), muito provavelmente deve conhece-lo pela música citada acima: “Você Não Soube Me Amar”, um dos hits da Blitz, banda sucesso nos anos de 1980, e conhecida por suas composições engraçadinhas e cheias de atitude.

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Entre os trabalhos como ator e músico, Evandro iniciou um novo projeto com a Fabulous Tab, no qual, dão uma roupagem diferente aos clássicos de rock, blues e folk dos anos de 1970. Sim, trata-se de um show de covers, e isso não deixa de ser legal.

Por volta das 21h30, os trabalhos foram iniciados no Theatro Net, localizado no shopping Vila Olímpia, em São Paulo. Para minha surpresa, haviam lugares marcados para assistirmos a apresentação. E, bem, por se tratar de um teatro, tivemos de ver toda aquela explosão Rock n’Roll, sentadinhos e comportados – o que me pareceu bem estranho e até mesmo incomodo.

A banda, repleta de músicos da mais alta qualidade, contava com: Arnaldo Brandão, no contra baixo e vocal; Billy, nos teclados e vocal. Rogério Meanda, no violão; Ralph, também no violão, gaita e vocal; Mafran, na Percussão. E, claro, Evandro, tocando Ukulele, violão (em algumas músicas) e também no vocal.

Todos eles, velhos conhecidos da noite, logo de cara já mostraram a que vieram, e preencheram o palco com uma mistura deliciosa de empolgação e entrosamento, fato que poderia (e deveria) ter contagiado muito mais a platéia – que muitas vezes parecia apática durante o espetáculo.

As música, de um modo geral, foram executadas com um swing contagiante, com direito a versão de Beatles com cuíca – sim, pode parecer estranho, mas ficou bem legal! – . O problema é que, toda essa vibração vinda dos músicos, fazia com o que esse negócio de estar sentada, me incomodasse cada vez mais. Eu queria dançar e cantar, poxa! Em meio a isso, só pude pensar: “caramba, pessoal, como vocês conseguem ouvir esse som assim, tão quietos?” 

E, talvez, Evandro tenha percebido isso também, já que, algumas vezes, perguntava: “vocês estão gostando?”. Nesses momentos, o público se manifestava, ria de suas piadas e tudo mais, porém, nada a altura do som de qualidade que estava sendo apresentado a nós. Ouso dizer: é provável que muitos estivessem ali apenas para ver um global no palco. Que chatisse isso, minha gente! Rock n’Roll é pra curtir e cantar junto, não para ficar com “cara de fino” e balançando a cabeça suavemente. É provável, também, que o fato de estarmos sentados, tenham intimidado alguns a terem arroubos de curtição. Eu, pelo menos, me senti um tanto intimidade, mas ok, o show continua, não é mesmo?

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Ao longo da noite, aconteceram alguns pequenos errinhos em algumas músicas, aquela coisa de “um bateria entra e ai percebe que não deveria ter entrado”, sabe? No entanto, nada muito grave e, ironicamente, foram essas falhas que fizeram com que me sentisse mais aconchegada, com se estivesse em uma jam entre amigos. Sobretudo, quando Evandro dizia, brincando: “Desculpa, gente! É que essa banda ensaia por whatsapp e bem nessa hora, a conexão caiu!”. Sim, esse é o tipo de coisa que sempre rola em jam entre amigos, e acaba dando uma certa humanidade para a coisa toda, entende? Acontece que os ingressos para a apresentação estavam um pouco caros (valores entre R$ 100,00 e R$ 150,00), o lugar não se parecia em nada com o cenário de uma “celebração de amigos” e, tudo isso junto, fazia com que se criasse um paradoxo muito esquisito: mas, afinal, isso aqui é conversa de boteco ou jantar sofisticado?

Enfim…

De um modo geral, a escolha do repertório foi muitíssimo boa. Vale destacar a lindíssima versão que fizeram para Magnolia, de JJ Cale, música pela qual sou totalmente apaixonada e, confesso, fez com que eu suasse pelos olhos ao ouví-la. Os covers de Stones merecem destaque e, olha, por um momento, até pensei que tinha visto o Keith no palco.

Aliás, por falar em Stones, a última música “You Can’t Always Get What You Want”, foi de arrepiar! E, mais uma vez, me surpreendeu a falta de emoção da platéia. Nesse momento, todos pareciam já prever que o show estava no fim e, pouco antes da música acabar, muitos já se levantavam para ir embora. Ninguém pediu por mais! Foi quando Evandro disse: “a gente vai fazer o bis que a gente ensaiou”. Ai, os que haviam se levantado voltaram para seus lugares.

“Honky Tonk Women” foi a escolhida para encerrar a noite. Músicos empolgados. Arrepios pelo corpo. “Hey, acho que vi o Keith Richards ali em cima, de novo…”. Público meio blaze, meio curtindo.

“Poxa, gente, nem na última?! Tudo bem que ainda é terça-feira, mas vamos animar isso aqui!”, penso,

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É, não foi dessa vez. Ainda sim, foi uma noite boa. Meio esquisita, é verdade, mas boa.

 

Confira as demais fotos do show na fanpage do Casos de Rock n’Roll, no álbum Evandro Mesquita & The Fabulous TAB (26/05/15)

Sobre a autora

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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