ESPECIAL MAMAS DO ROCK N’ROLL, PARTE III: Angela Ruiz e Valéria Gaspar

Texto e edição: Amanda Cipullo

Chegamos ao fim do nosso especial Mama do Rock n’Roll e, em primeiro lugar, gostaria de agradecer a todos e todas que curtiram (no sentido literal e no facebook) e compartilharam essa série de textos. O feedback tem sido muito bom e espero que vocês tenham gostado tanto de ler, quanto eu gostei de escrever.

As sete escolhidas para essa matéria, são apenas algumas das muitas mulheres que têm casos com esse tal de Rock n’Roll, então, pensando nisso, convidamos desde já todas as outras (e sei que são muitas) a nos escreverem, afinal, histórias são notícias que não envelhecem.

A matéria que começou com o intuito de homenagear as mulheres do rock, passou a ser um canal para que as pessoas pudessem conhecer e reconhecer  o trabalho que fazem. Além disso, esperamos que sirva de inspiração para que muitas outras mocinhas  soltem seus sons por aí, afinal de contas, música boa não tem gênero, classe social e etc; é um barco em que sempre cabe mais uma! Isso é Rock n’Roll, bebê!

E, mais uma vez, muito obrigada a todas que compartilharam suas histórias com o Casos de Rock n’Roll. Foi incrível poder ouví-las, meninas!

Então, sem mais delongas, apresento-lhes Angela Ruiz e Valéria Gaspar, as mamães que cresceram junto com o Rock n’Roll!

Angela Ruiz 

Do ballet ao Rock n’Roll: a história de Angela é dessas que começou dentro de casa, e depois ganhou independência e vida própria. Vinda de uma família musical e com uma veia artística forte, a moça que iniciou a carreira como bailarina, cantando em musicais, logo descobriu que seu negócio era mesmo o Rock n’Roll e, desde então, não parou mais:

“Eu comecei na música por influência do meu irmão, Conrado, que era vocalista de uma banda antiga chamada Joelho de Porco. Então, minha casa sempre foi muito musical, e o Rock n’Roll era a vertente que mandava. Desde de pequinininha eu cantava muito com ele, fui bailarina e a música sempre foi permeando minha história. O que mudou mesmo foi quando eu entrei num musical, como bailarina. Fiz a primeira versão de Evita e dali sai cantando (sic). Foi ali que deu uma virada mesmo, a música passou a ser principal e o ballet ficou em segundo plano.”

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Vale ressaltar que a banda Joelho de Porco foi importantíssima para o movimento punk rock brasileiro, lá pelos idos da década de 1970.  Bem, se você tem mais de 40 anos, sabe exatamente do que eu estou falando. Se não tem e/ou não os conhece, corre para procurar, porque são definitivamente parte dos representantes do rock n’Roll nacional que devem ser ouvidos. Enfim, posto isso, da para entender que as coisas não poderiam ser muito diferentes para a Angela, não é? Afinal, crescer em meio ao rock n’roll, é um privilégio para poucos, e que sempre planta aquela sementinha musical na gente.

Pois bem, o tempo passou e o encantamento com o rock continuou pautando sua vida. Dai vieram muitas bandas e a consolidação como cantora. Inclusive, após ganhar um concurso, teve a oportunidade de gravar junto com com Rita Lee, sua musa, como vocês podem conferir nesse vídeo aqui:

Bem, então veio o casamento e maternidade. Sim, é complicado administrar as atividades de mãe e cantora, mas ela nunca parou, e sobre isso conta:

“Eu tentei conciliar tudo da melhor maneira possível. Não abri mão dos filhos de jeito nenhum. E nunca tive quem cuidasse deles, nunca tive babá, nem nada. E, com muita frequência, muita frequência mesmo, eu chegava às 4h30 de um show, e às 6h30 tava pondo café da manhã pra eles irem para escola, pra conversar um pouquinho com eles. Ai eu voltava e dormia. Ai tem aquela coisa, né? Se ligavam para mim e eu tava dormindo às 15h da tarde, parecia que eu não fazia nada na vida, né? (risos)”

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Tá vendo só? Ao contrário do que muitos pensam, o trabalhar na noite não é só glamour e, bem, se por acaso você ligar para a Angela, ou para qualquer outra mamãe rock, e ela estiver dormindo, saiba: quem trabalha enquanto os outros dormem, dorme quando os outros trabalham e, olha, o trampo não é pouco, mas é sempre gratificante.

Ainda sobre os momentos com seus filhos, Angela nos contou que uma das histórias mais marcantes, foi o dia em que o filho fez 18 anos e finalmente pode vê-la cantar na noite:

“Eu sempre fui muito mãe, coxinha mesmo: ‘não tem idade, não entra’ (risos). Eu não levava (aos shows), então, quando ele fez 18 anos foi ver um show meu. Eu tocava no Santa Aldeia, para 2 mil pessoas, acho que ele não tinha noção do tamanho que era. E eu fiquei muito emocionado, o tempo inteiro falando. Foi uma festa para mim! “

Atualmente, Angela tem um projeto solo de pop-rock, além de se apresentar em motoclubs, lugar em que tem um público fiel. Recentemente, formou um quarteto chamado The Boulevard Quartet,  projeto entre ela e alguns amigos, voltado ao folk, no qual, com banjo, gaita, quatro vozes e toda a caracterização inerente a folk music, fazem um som arrebatador, que pode ser conferido aqui:

Para saber mais sobre a carreira dessa mulher de bela voz, e todos os seus projetos e agendas, é só curtir a sua página no facebook, Angel, e se preparar para ouvir a música de excelente qualidade que ela produz.

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Valéria Gaspar

Conheci a Valéria por intermédio de um amigo da minha mãe. Depois de algum tempo de conversa por telefone e whatsapp, finalmente conseguimos nos encontrar em um famoso boteco da Pompéia, berço do rock nacional, e bairro em que ela cresceu e descobriu o Rock n’Roll.

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A verdade é que nunca fizemos uma entrevista formal, ao longo dos nossos meses de contato, nos tornamos amigas e, bem, todos os nossos papos dariam entrevistas incríveis, mas essa coisa de “faz-pergunta-responde-pergunta”, nunca rolou e, no final, é até bom que tenha sido assim, porque não há melhor forma de se conhecer alguém, do que por meio dessas conversas informais, nas quais você é apresentado a todo o universo que aquela pessoa carrega. E, olha, o universo de histórias e vivência carregado por ela, é absolutamente apaixonante.

Conheço poucas pessoas que tenham um entusiasmo tão grande com a vida, sobretudo, que consigam transmitir isso tão bem em palavras. E talvez tenham sido as inúmeras semelhanças entre os nossos caminhos, que nos aproximaram tanto. Bem, vou explicar melhor: Valéria se formou em Publicidade, e depois em Jornalismo, na faculdade Cásper Líbero, mesma instituição em que me formei, também em publicidade. É filha de pai artista, musicólogo que lhe transmitiu toda sua paixão musical, e fortaleceu nela uma veia artística e inquietante, que a faz ir sempre atrás de coisas novas e continuar em frente, independente do tiver de enfrentar.

Foi modelo, mas nunca apenas um rostinho bonito, aliás, essa é uma das coisas que sempre diz:

“Sabe, Amandita, a gente sempre tem que ter conteúdo! Às vezes, algumas pessoas me olham e pensam ‘quem é essa loira maluca?’, mas eu sei do que tô falando e essa é a melhor coisa. Todo o repertório que a gente adquire ao longo da vida, permanece. A beleza passa”.

Como já disse, o repertório que essa mulher carrega é incrivelmente grande e cheio de conteúdo. No que diz respeito a Rock n’Roll paulistano, arrisco dizer que ela conheça quase tudo o que já rolou por aqui! E, quando digo conhecer, não falo apenas de ouvir, mas também de acompanhar bandas, em bastidores e shows, seja dando-lhes suporte como assessora de imprensa (trabalho que desempenha há muitos anos), ou como amiga dos inúmeros músicos incríveis que existem pela Pompéia e por toda a cidade de São Paulo. E, como você pode imaginar, por viver e trabalhar no meio musical, as histórias são muitas, então, fica aqui nossa promessa de uma matéria maior, com alguns dos causos que ela tem para contar!

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“Sou acostumada a ouvir música desde pequena. Meu ouvido é muito bom, e quando o som não está legal, sempre falo. Se me perguntam, eu falo! Não importa se é amigo ou se é o bambam da banda X”.

Ta aí outra coisa que vejo em poucas pessoas: desprendimento para falar o que realmente pensa, tendo como respaldo anos de ouvidos extremamente treinado. As críticas que ela faz não são apenas “comentários da moça bonita”, mas sim percepções precisas de alguém que tem muita estrada de Rock n’Roll, e sabe do que está falando. Aliás, uma das coisas que mais gosto, é passar horas e horas conversando com ela sobre música, sempre aprendo algo novo e, não canso de dizer:  ela é uma das minhas mentoras de Rock.

Valéria também é mãe, e fala toda orgulhosa sobre a filha, que enveredou pelos caminhos da música e da arte:

“Ela é independente e trabalha muito bem! Nunca me pediu ajuda para conseguir seus contatos de trabalho, fez tudo por conta própria!”

Com uma mãe tão forte como exemplo, imagino que não poderia ser diferente! E, digo isso com conhecimento de causa, porque tenho aqui em casa uma mulher assim também, minha mãe querida.

E, bem, essa matéria provavelmente não teria tantas histórias boas, se não fosse pela Valéria, que me passou o contato de grande parte das mamães do rock, e sempre incentiva esse caso de Rock n’Roll a crescer e continuar existindo.

Fica aqui, então, o nosso muitíssimo obrigada a ela, tanto pela parceira, quanto pela amizade e por todos os ensinamentos! E que a gente ainda possa trabalhar muito juntas, para que esses nossos caminhos tão parecidos, continuem se cruzando e produzindo coisas boas para o nosso tão querido Rock n’Roll.

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Leia também:

Mamas do Rock n’Roll, parte II: as meninas da Made in Brazil

Mamas do Rock n’Roll, parte I: Tibet e Diana Marinho

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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1 comentário Adicione o seu

  1. Valéria Gaspar disse:

    Minha linda Amandita…minha cria do rock’n’pautas–boa jornada na música …adorei cada linha…! Beijos para Aline, parça também das ótimas! Você é a menina de ouro dessa jornalista aqui…e pra variar: Viva o rock, babie!!!!!!!!! bjos a lot!! yeahh

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