Crônicas de Rock: no final, somos ratos do mesmo saco

Texto: Amanda Cipullo
Fotos: Aline Rizzato

Se usualmente as nossas vidas valem menos do que um Chevrolet, no final de semana geralmente insistimos em acreditar que os porres e as histórias que deixamos nos bares, são  oportunidades de irmos um pouco além, e fazer com que tudo valha alguma coisa, pelo menos um pouco. Quer dizer, isso acaba fazendo mais sentido quando você se enquadra nas formalidades dos trabalhos de segunda à sexta. Para nós, que vivemos na (e da) noite, a ordem costuma ser subvertida. De todo modo, uma coisa é sempre certa:  a preguiça e a ressaca, inerente aos domingos, também nos assolam. Acontece que sempre existe uma razão para sair de casa, e não são raras as vezes em que essa saída também é uma fuga. A gente precisa disso para continuar vivendo, não tem jeito.

Certa vez, tive a oportunidade de entrevistar Mário Bortolotto (inclusive, essa entrevista logo estará aqui pelos nossos casos de Rock n’Roll). Entre muitas coisas, em determinado momento, disse a ele: “é, mas às vezes a gente tem que ficar de quatro, né?” e a resposta foi clara e precisa: “na verdade, não. Só faço o que eu gosto e faço para me divertir. Se não me divirto, não faço. Por isso, nunca fico de quatro.”. Parece simples, mas esse caminho “todo errado” de trabalhar para se divertir, nos deixa sem aquela velha opção de sermos vítimas, afinal, tudo isso é escolha, não fatalidade. E, bem, é verdade que na maioria das vezes a vida vale pouco, quase nada; e, se é assim, pelo menos que toda a foda nos faça gozar. É o mínimo, não?

Em dias difíceis, costumo me lembrar disso, ajuda a continuar em pé quando as coisas parecem meio fora do lugar, e/ou os caminhos todos errados. Esse último domingo, foi um desses dias.  Arrastei todo o meu cansaço até a Mono Clube: era trabalho, e também diversão; show do Saco de Ratos, sempre imperdível, independente da ressaca e da preguiça.

Ao final, depois de mais uma noite incrível, regada a muito rock n’roll, blues e encontro com amigos, o corpo doia, mas a cabeça tava boa. Foi ai que entendi: a gente faz o que a gente gosta, só para não ter que ficar de quatro para a vida (em outras circunstâncias pode até ser, mas para a vida, não). Daí, os caminhos pareceram um pouco menos errados. Talvez incertos, mas sempre escolhidos –  é que importa, não é?

De todo modo, a vida continua sendo uma puta cara, que muitas vezes faz um boquete ruim, mas a gente da um jeito de gozar. Sempre tem como dar um jeito para essas coisas. E, eventualmente, esse jeito é ir a um show no domingo, quando o corpo dói, mas a música faz com que a cabeça fique boa  – e isso já faz com que tudo valha a pena.

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(As fotos do show, que inspirou essa crônica de Rock, estão na fanpage do Casos de Rock n’Roll. Se você estave por lá, certamente está entre os fotografados, confira aqui: Casos de Rock n’Roll: Fotos Saco de Ratos )

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

 

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