Bay Area Fest II: a matinê from hell do cenário independente

Texto: Amanda Cipullo
Fotos: Amanda Cipullo / Aline Rizzato

Sábado, 16/05, 19h: pouca gente imagina que a esse horário vá rolar alguma coisa boa por aí, mas eu lhes digo que música não tem hora, e o que rolou nesse dia, foi uma sonzeira da melhor qualidade.

Fui convidada pelos meninos da Sanatori#1 para cobrir o Bay Area Fest II, evento que reuniu bandas independentes que fazem uma podrera de qualidade. A verdade é que das quatro bandas que iriam se apresentam, só conhecia duas, mas fui de ouvidos abertos, já imaginando que não iria me decepcionar.

O primeiro show começou por volta das 20h, a casa ainda estava meio vazia (segura, no final vou comentar a respeito disso) quando os meninos da Sanatori#1 subiram ao palco e, caramba, como é bom vê-los ao vivo. Os conheci no Canil Fest II, evento organizado pelos caras da Mattilha, em março desse ano. Até então, não tinha ouvido falar na banda, mas logo nas primeiras músicas, já me apaixonei. Como já disse antes, fazem um thrash de primeira, som para nenhum headbanger botar defeito. Foram cerca de quarenta minutos de show, entre músicas autorias e dois covers, mostraram, mais uma vez, que tem sim gente fazendo um puta som por aqui.

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(Infelizmente, nossa fotógrafa dessa noite, só pode chegar durante o show da segunda banda. Como as fotos tiradas pelo celular dessa pessoa que vos escreve, não ficaram tão boas, repostamos uma foto tirada Mattilha Fest II)

Ouça o som da banda aqui:

A segunda da noite ficou por conta da Rhino. Não os conhecia, mas no fumódromo, enquanto conversa com o guitarrista da Sanatori#1, fui avisada: os caras mandam muito. E como mandam! Por questões alheias a minha vontade, fui obrigada a assistir ao show sentadinha, acompanhada de uma garrafa de água. Mas, olha, se fosse nos dias de “não-gastrite”, certamente estaria bangueando loucamente, mesmo sem conhecer as músicas. Surpresa boa para quem curte aquele som que da “uma paulada nas ideias”

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Ouça o som da banda aqui:

Bastardo Crossover é outra banda que não conhecia, mais uma boa surpresa! Sou suspeita para falar, porque thrash é o tipo de som que sempre me conquista logo de cara. Mas, convenhamos, tem muita fanta por ai se passando por coca. Não é o caso desses caras. Precisos e empolgantes, conseguiram agitar a galera que estava por lá – a essa altura, mais gente do que no inicio. Em determinado momento, o vocalista anuncia uma música que fala sobre política, pensei que ouviria aquela ladainha de sempre, mas antes de cantá-la, ele mandou a real, em outras palavras: não importa qual é a sua ideologia ou partido, você está fodido do mesmo jeito. Apoio e assino embaixo. Sempre bom ver seres pensantes – realmente pensantes – se expressando desse jeito brutal.

Ouça o som da banda aqui: Bastardo Crossover

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A quarta e última atração, ficou por conta das meninas da Nervosa. É, meu amigo, se você acha que thrash é para machos, se enganou e se enganou bonito. Já conhecia o som, mas nunca as tinha visto ao vivo. Puta que pariu! Mais uma vez, aqueles motivos alheios a minha vontade, fizeram com que eu permanecesse sentada. Merda! Mas, olha, não vão faltar oportunidades para vê-las de novo, tenho certeza! Puta show, puta energia. Daqueles sons que dão medo em criancinha e fazem com que nossos corações apodrecidos pelo álcool vibrem de felicidade. Vale destacar: Fernanda Lira, que voz é essa, mulher? Sensacional! E, se por acaso, você que me lê não as conhece, faz o favor de procurar! A pena é que, por conta dos horários da casa, o show foi um pouco mais curto do que esperávamos. Enfim, essas coisas acontecem!

Ouça o som da banda aqui:

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De um modo geral, o evento foi extremamente bem produzido: bandas boas e som no volume certo, o que significa que os decibéis dos falantes, por mais alucinados que fossem os gritos e guitarras, não nos incomodavam. Pode parecer que isso é um detalhe irrelevante, mas a verdade é que meus ouvidos calejados acabaram se tornando extremamente exigentes. E, quando ouço bandas que não conheço, acho fundamental qualidade no som. Como já disse em outros textos, muitas vezes isso não acontece, e os motivos são muitos. Exatamente por isso, é importante dar um parabéns gigantesco aos meninos da Bay Area, que organizaram tudo, sobretudo, ao Manifesto.

Segurou aquele parênteses lá de cima? Então, voltando: ao longo do evento, a casa foi enchendo, mas não tanto, entre as conversas que tive no fumódromo, e minhas próprias percepções, fico sempre pensando e não me canso de repetir: por onde anda a galera? É importante ressaltar que a divulgação foi grande e bem feita. Então, de novo: por onde anda a galera? Talvez um dia eu ainda escreva sobre isso, mas me indigna absurdamente ouvir “gentes” e mais “gentes” dizendo que não tem coisa boa rolando por aqui, ou que os festivais são mal produzidos e que as bandas não são boas. Sim, existe muita roubada, mas também existe uma enorme falta de vontade de ir atrás de coisas novas. Então, parem com o mimimi e colem nas grades!

Por fim, parabéns aos meninos da Bay Area, que estão fazendo um belo trabalho tanto na produção audiovisual, quanto nos palcos e incentivo ao cenário autoral e independente.

 

Confira as outras fotos, feitas pela Aline Rizzato, na nossa fanpage: Casos de Rock n’Roll: Bay Area Fest II

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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