ESPECIAL MAMAS DO ROCK N’ROLL, PARTE II – As meninas da Made in Brazil

Edição e texto: Amanda Cipullo

Nessa última sexta-feira (15/05), rolou o show de lançamento do disco Massacre, da Made in Brazil (entenda mais aqui 37 ANOS DEPOIS, BANDA MADE IN BRAZIL LANÇA DISCO PROIBIDO DURANTE A DITADURA MILITAR.). Nós do Casos estávamos lá, e aproveitamos esse momento histórico para a música nacional, para lançar a  segunda parte do especial Mamas do Rock n’Roll, dessa vez, com algumas das ex e atuais backing-vocals  daquela “banda made in brazil, só pra tocar rock’n’roll”. Com vocês: Tata Martinelli, Ivani Venancio e Néia Cassilhas! 

Tata Martinelli

Tata Martinelli, ex-backing vocal da banda Made in Brazil, trabalhou também com Edy Star, Wanderléia, e vem de uma longa estrada de Rock n’Roll, que começou na ainda infância: “minha tia era hippie, e tinha vários amigos cabeludos, eu os via e ficava encantada com aquilo tudo (sic). Cheguei no rock muito pela minha paixão pelos anos de 1970, aquelas coisas coloridas, que fizeram parte da minha infância, sempre me encantaram!”.

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Influenciada por Led Zeppelin e pela a psicodelia da Tropicállia, o que antes era só uma paixões, tornou-se profissão: “por conta de tudo isso, acabei fazendo faculdade de música.“. A moça de bela voz, não tem filhos, mas desempenha o seu papel de “mãe do rock”, de uma outra forma. Bem, vou explicar melhor: sabe aquele filme “Escola de Rock”? Quem de nós nunca sonhou em ter um professor ou professora rock n’roller? E é mais ou menos isso que Tata faz no colégio Anglo onde ministra aulas de música, e desenvolve um trabalho muito legal com crianças.

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A respeito disso, ela nos disse: “eu apresento para eles todos os instrumentos das músicas (sic). Procuro pegar várias vertentes de rock, que são muito legais, mas não tão conhecidas (sic). A minha ideia de trabalhar com crianças é poder passar para elas o que eu conheço, e mostrar o que existe de música boa, seja no rock ou em outros estilos”. Incrível, não? Confesso que a medida que Tata ia contando sobre seu trabalho, mais me encantava. Fiquei imaginando o quão importante deve ser para essas crianças o contato com a música, que certamente está moldando muitas de suas memórias, e fazendo com que tenham uma percepção diferente das coisas que estão a sua volta. Afinal, se nem todos tem mãe no rock (ou na música) para lhes ensinar as pequenas nuances do que é realmente ouvir – e não apenas escutar banalmente as coisas que chegam até nós -, que bom que existe a Tata, que desempenha esse papel lindamente.

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Ivani Venancio

Uma história que começou no cinema: Ivani Venâncio, atual backing vocal da Made in Brazil, conta que seu primeiro contato com o rock foi assistindo a um filme e, a partir dai, viu-se totalmente tomada por toda essa loucura chamada Rock n’Roll.

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De certo modo, a história dela e de Tata Martinelli tem vários pontos parecidos, e não é mera coincidência, as duas são amigas de longa data e fizeram backing vocal para alguns artistas e bandas em comum, além do Made in, Wanderléia e Edy Star, também.

Iniciou a carreia na música, cantando em bandas de baile. Segundo ela: “cantava de tudo, menos essas coisas de sertanejo, sabe?”. Com o tempo e a repercussão de seu trabalho, foi fazer turnês pelo Japão, até que engravidou e teve que de se manter por algum tempo em terra firma. Junto com seu marido, Dimas Rich, montou a Kozmic Blues, na qual, como já sugere o nome, fazem covers de Janis Joplin. Mas, em meio a uma vida tão musical, como é ser mãe e trabalhar na noite? , lhe pergunto: “agora é mais tranquilo, porque o meu filho já está com 16 anos. No começo era fogo, eu tinha que deixar ele com a minha mãe para ir cantar. Mas, nunca foi muito complicado, porque sempre tive muito o apoio da minha família (sic). Nunca gostei de levá-lo para a noite, até porque para criança é complicado, mas sempre que possível ele estava no meio, quando tinha shows durante a tarde, e sempre curtiu bastante” .

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E, bem, como toda a criança que cresceu entre ensaios e shows de pais músicos, lógico que tem histórias engraçadas pelo caminho, como no dia em que Ivani e seu marido estavam se apresentando em um motoclub e, já no palco, perceberam que o menino havia sumido. E aí, como continuar o show? “Ele tinha uns 4 anos, e tinha um motoclube que sempre nos chamava para cantar Janis, o Abutres (sic). Eu olhava para a cara dele (o marido), que também tava apavorado, tentando ver ser a gente encontrava o Kevin. Até que achamos! Ele tava com outro menino, brincando ali perto”.

É, meus amigos, viver de rock n’roll (e ser mãe) é assim, mas apesar de não ser fácil, quando vemos Ivani no palco, uma coisa fica muito clara: essa é a sua paixão.

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Ednéia Cassilhas (Néia)

Néia é mãe e filha do rock n’roll. Atualmente, assim como Ivani, faz backing vocal na Made in Brazil e, apesar de ter pouco tempo na banda, sua história com a música é bem mais antiga:

“Eu ouvia rock desde de criança, com meus irmãos mais velhos. Então eu cresci ouvindo isso. Com 15 anos, me interessei em cantar (sic). Tocar violão já uma coisa de família, meu pai tocava, então aprendi com ele.”. E, a partir dai, nunca mais parou! Ainda aos 15 anos, começou a se apresentar na noite, passou por diversas bandas, casou-se e teve dois filhos, que já curtem muito rock n’roll, assim como a mamãe.

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“Eu quero passar isso para eles (os filhos), assim como foi passado para mim (sic). A pequena já canta comigo, ela não vai aos bares à noite, mas quando tem show à tarde, ela sempre sobe no palco e canta comigo”, diz a mamãe rock n’roller orgulhosa. Não tem jeito, minha gente, filho de peixe, peixinho é, e quem sai aos seus, nunca degenera!

Perguntei a ela sobre histórias com seus filhos em shows, porque se as mamães comuns já tem inúmeras coisas para contar, imagine só as mamys do rock. Pois bem, a história de Néia é bem bonita e prova que esse negócio de rock n’roll pode, inclusive, ajudar na hora do parto.

“Quando ela estava para nascer (a primeira filha), eu tive um show no domingo, no Lollapaloosa, em Santo André (sic). E eu cantei grávida nesse show, já tava quase para ganhar ela. Mas tinham aquelas coisas de rixa de banda, sabe? Ai desligaram o som, para sacanear mesmo, sabe? E eu, mesmo grávida, subi no palco com aquele barrigão e cantei uma música da Janis Joplin, Mercedes Benz, mesmo sem som, sem nada. A galera da frente começou a cantar junto e quando eu vi, tava tudo mundo cantando, até voltar o som. Ai eu voltei para casa, ainda superchateada com o que tinha acontecido, e no dia seguinte ela nasceu”. Entendeu agora porque eu disse que Néia é filha e mãe do rock n’roll? Aliás, essa história me lembrou a primeira história da série de entrevista Mamas do Rock, lembram-se da Diana? Pois é, parece que a Janis é a mãe das mamães rock n’rollers.

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E, bem, com o segundo filho, as coisas não foram diferentes, Néia encerrou o show e, pouco depois, o menino nasceu. Que sorte a dessas crianças, que já chegaram no mundo ouvindo e vivendo de rock n’roll.

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Sobre a autora:

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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