Especial Mamas do Rock n’Roll, parte I

Edição e texto: Amanda Cipullo

Sempre ouvi várias histórias de pais rockeiros, mas poucas de mães. E, sabe, tem muita mãe por aí fazendo um som incrível, além disso, transmitindo a seus filhos todo esse louco amor pelo Rock n’ Roll! Essa foi a premissa que deu início a tudo, e me possibilitou o contato com sete mulheres extremamente fortes e talentosas, cheias de histórias maravilhosas!

E, sim, é evidente que datas como essa são desculpas publicitárias para se vender mais, e aquele chavão inegável de que “essa homenagem não deveria ter dia certo para ser feita”, é verdade também, mas tenho a impressão de que, mesmo inconscientemente, as lembranças acabam ficando mais afloradas em épocas assim. E, confesso, fazer essa matéria me causou um misto de emoções mucho loucas. Sabe aquela coisa de se identifcar um pouco a partir da lembrança do outro? Pois é, e garanto que não só comigo! Depois de ler tudo, você vai entender também!

Enfim, sem mais delongas, dedico essa série de matérias (que será dividida em três partes), a todas as mamães do rock n’roll, mesmo as que não tem (ou tiveram) carreiras musicais, mas ainda assim, puderam passar para seus filhos e filhas, o amor pela música e pelo rock. Em especial, a Valéria Gaspar, a queridíssima que me passou o contato de grande parte das mamas, e tem sido peça importante para o desenvolvimento do Casos – além de ser um super exemplo de mulher do Rock. Sobretudo, dedico a minha própria mãe, que nunca foi voltada a um único estilo, mas me ensinou – e ainda ensina – a subverter a ordem das coisas – e, convenhamos, não existe nada mais rock n’roll do que isso!

Mamas do Rock n’Roll (parte I): Elizabeth Queiroz e Diana Marinho

Tibet – A Psicóloga Mais Rock n’Roll Que Você Já Viu

Elizabeth Queiroz é mãe de 3 filhas, formada em psicologia e… Puro rock n’roll. Tibet, nome artístico de Elizabeth, é dessas pessoas que tem a história de sua vida misturada a do rock nacional. Conversamos por cerca de meia hora pelo telefone e, depois de desligar, fiquei pensando em como reproduzir tudo aquilo em texto, afinal, certas coisas tem de ser ouvidas para que se entenda a energia e a vibração que há por dentro, por trás e por todos os lados que ecoam daquela voz, que contou pacientemente sua trajetória na música e, por consequência, no Rock n’Roll.

Bem, então vamos do começo! Antes do casamento, das filhas e tudo mais, Tibet já nutria um longo e firme caso com o Rock n’Roll. Sua atuação no cenário se intensificou no final dos anos de 1970, mais especificamente em 1977, fazendo backing vocal na banda Made In Brazil, na qual, participou de diversas apresentações e discos.

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Cantou também com os caras do Tutti-Frutti e, desses tempo de várias bandas e shows, as recordações são muitas, inclusive, as das vezes em que levava as filhas para os shows:

“Eu me casei e tive 3 filhas, acabei dando um tempo, mas não muito. Logo já estava de volta e, às vezes, levava as meninas para a coxia quando fazia shows com o Made in”,

“Hoje, elas (as filhas) que me pedem para abaixar o som quando tô ouvindo coisas como Slayer”.

Entre os anos de 1988 e 1989, Elizabeth  se separando de seu marido e, sobre isso,  contou uma história emblemática, que acho que resume bem o que significa o rock para ela: “Sabe o que fiz? Vendi a minha aliança e comprei uma guitarra”. É, se tem um caso de amor que temos certeza que resiste ao tempo, sem dúvidas é com rock n’roll. Pouco tempo depois, em 1990, formou o Ajna, banda que voltou a ativa recentemente (confira mais sobre o trabalho aqui A NOVA PROPOSTA DO AJNA) e fundou a revista Dynamo, importante veículo sobre rock n’roll, na qual atuava como editora-chefe.

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Acontece que viver de rock não é tão simples e, por essa razão, ainda nos anos de 1990, deu um tempo na carreira musical, para se dedicar a outra paixão: a psicologia. Aliás, já pensou que legal descobrir que a sua terapeuta é uma lenda do Rock n’Roll nacional? Pois é!

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Das histórias com suas filhas, uma das coisas que lhe marcou, foi a vez em que levou as meninas para assistirem ao Sepultura, que estava fazendo uma apresentação gratuita na Praça Charles Miller. Nesse show, acabou acontecendo uma série de confusões que resultaram na morte de uma pessoa. E, sim, em meio a tudo isso, estava Elizabeth, que conta que em determinado momento, percebeu que a filha mais nova havia sumido. Da pra imaginar o pânico que rolou, não é? Alguns minutos depois, ela diz que conseguiu encontra-la, e a menina, que não tinha a menor ideia da confusão que havia acontecido,  estava toda feliz, com um sorvete nas mãos: “Perguntei como ela tinha conseguido aquele sorvete, porque ela não estava com dinheiro, foi quando me disse que tinha pedido para um dos meus amigos comprar. Cara de pau, né? (risos). Na hora fiquei superpreocupada, mas, por sorte, não aconteceu nada, e hoje essa é mais uma das nossas histórias juntas.”. Inclusive, as filhas, agora já grandes, de um certo modo, inspiraram-se nos passos da mãe e, apesar de não tocarem na noite, também desenvolvem trabalhos relacionados a arte. Uma família musical e artística! Que sorte dessas meninas por ter uma mãe dessas em casa.

Diana – A Baiana Arretada! 

Conheci Diana Marinho por meio de um amigo em comum, Carlos Mercuri (que também tem um blog bem legal sobre música, Blog por Bloga). Conversamos via whatsapp, já que o interurbano entre São Paulo e Bahia ficaria meio pesado na conta telefônica.

Nos primeiros segundos de áudio, o que ficou bem claro é a visceralidade presente na Bahiana. Visceralidade e paixão pelo Rock n’Roll, que também começou logo cedo.

Nascida no meio do mato, como ela mesmo diz, teve uma educação rígida, mas sempre permeada pela música: “meu pai tocava violão e tinha uma série de instrumentos, mas nunca deixava a gente chegar perto deles. Então, eu ficava só observando pelo buraco da fechadura (sic). Ele era um cara bem bravo!”. Com 13 anos, mudou-se para Nova Ibiá, um vilarejo, no qual, ainda quando criança, participou ativamente do processo de emancipação para que o distrito se tornasse uma cidade. Sentiu só a força dessa mulher?

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Diana conta que, nessa época, começou a intensificar sua relação com a música. Primeiro, mesmo contra a vontade do pai, arranjou um violão e começou a aprender a tocar: “eu me trancava no banheiro e treinava, treinava e treinava.” Daí pra frente, a paixão pela música já era visível, mas tudo realmente virou de cabeça quando outra amiga, que voltara de São Paulo para a Bahia, apresentou-lhe um disco que mudou sua vida: ” Eu me lembro que ficava ouvindo aquela música, sem nem acreditar que alguém cantava daquele jeito (sic). Fiquei a noite inteira ouvindo aquilo, sem nem saber quem era aquela mulher. Ai, minha amiga disse que ia me dar o disco… Era Janis Joplin“, diz, com a voz embargada. Confesso, também me emocionei! É de arrepiar imaginar o encantamento de uma menina do interior da Bahia, ao ouvir pela primeira vez os gritos inconfundíveis da grande Janis. Mais do que isso, arrepia também o fato de algumas canções pautarem totalmente a vida de uma pessoa. Diana, depois de muito estudo, deu seu grito de liberdade. Aos 17, contra tudo e contra todos, mudou-se para Salvador para realizar o sonho de viver de música. E, bem, a menina que se revirava no chão, enlouquecida com a voz de Joplin, cresceu e abriu mão de fazer sucesso com axés e outras coisas, para dedicar-se ao Rock n’Roll, cantando pela noite e fazendo tributos para sua musa inspiradora, aquela que mudou sua vida com apenas um disco.

“Quando estreei esse tributo para Janis Joplin, estava grávida de oito meses. Foi uma coisa tão linda, que quando acenderam as luzes do teatro, todas as pessoas estavam chorando”

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Como é de se imaginar, a relação de uma criança (hoje já não mais tão criança assim), que praticamente nasceu no palco, também é muito forte com música. E, como diz a mãe orgulhosa, Kim é extremamente musical: “Hoje em dia, o instrumento que ele tem (baixo), é melhor do que o meu. Desde que ele demonstrou interesse em tocar, me esforcei para que tivesse as melhores coisas”.

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Falamos ainda sobre a falta de incentivo e patrocínio para quem vive de música, as dificuldades de ser mãe e rock n’roller e esse estranho preconceito que algumas pessoas de São Paulo tem com músicos baianos. Sobre isso, Diana afirma que não se abala. Apesar de já ter passado por algumas situações desagradáveis quando esteve por ai, ela sabe exatamente qual é o seu valor musical e, sobretudo, que esses rótulos regionais são babaquices de gente desinformada. E, olha, vou falar, a mulher canta muito, pena daqueles que não tiverem o prazer de descobrir isso!

Sobre a autora:

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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5 comentários Adicione o seu

  1. Diana Marinho disse:

    Muito Lindo Querida Amanda Cipullo!!Muito Grata de coração!! Um presentão para o dia das Mães!! Arrasou nos textos!! Bjjusssssssssss

    Curtido por 1 pessoa

    1. Amanda C disse:

      Obrigada, Diana! Nós que agradecemos pelo carinho e pela disponibilidade em participar! Beijo grande e sucesso! 🙂

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