Monsters Of Rock (26/04) – Do estrelismo do Manowar à contemplação ao KISS

Texto: Aline Rizzato

O segundo dia do Monsters of Rock não teve nenhum cancelamento de banda, mas como todo grande festival, teve falhas, emoção, gente bizarra e cansaço, muito cansaço. Para quem leu a resenha do sábado e se emocionou, pode até me achar durona demais, coração gelado mas não, eu só vou cumprir o que prometi desde o começo do blog, a verdade nua e crua. Mas calma, leia até o fim que (espero) a sua compreensão.

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Foto: Fanpage Monsters Of Rock

A minha ideia inicial era ir ao Anhembi para assistir os farofentos do Steel Panther que, apesar de mal falados, eu gosto eu hard rock e sim se tivesse só o show deles eu iria da mesma forma. Porém meu corpo pediu uma a mais de descanso, assim acabei chegando no meio do show do Yngwie Malmsteen. De longe, era possível ouvir seus solos intermináveis de 158 notas por segundo. Já dentro do Anhembi, perguntei: “Como é que esse cara consegue ser tão rápido?” E logo ouvi a resposta: Ele gravava as músicas em um gravador velho da sua mãe. “E esse gravador tinha um certo problema técnico e gravava tudo mais rápido, logo o pequeno Malmsteen começou a se aperfeiçoar na agilidade.” Maldito gravador. Pensei.

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Foto: Fanpage Monsters of Rock

Clima de festival é muito louco. É um desfile de bizarrices. O que mais me chama atenção é a galera que não pensa no frio ou no conforto, e usa roupas curtas, apertadas, que claramente estão desconfortáveis, mas pensar nisso antes? Jamais! O importante é manter a pose. Santo Deus! Mil poses para encontrar o melhor ângulo da próxima foto de perfil do feice, a falsa embriaguez notada mais de uma vez por, por incrível que pareça, atuação dos adultos. Pois é… ou eu é que estou ficando velha ou o mundo é assim mesmo, eu que tenho que me acostumar e ser feliz. Não sei.

Pra mim, que fui ao festival apenas assistir aos shows, me encantei com a organização (claro que os preços abusivos), área gourmet com mesas e cadeiras, vários banheiros disponíveis e muitos vendedores ambulantes. Quanto ao som, tudo estava em perfeitas condições. Depois do virtuoso da guitarra, era a vez o Unisonic com seu metal melódico e algumas canções da antiga banda de Michael Kiske, o Haloween. O público cantou em alto e bom som o clássico “I Want Out” ou “Ao Anal” como eu canto. Brinks Michael, tamo junto parça.

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Foto: Fanpage Monsters Of Rock

Após o metal melódico, foi a vez do power metal do Accept. O show incrivelmente matador. Mark Tornillo, vocalista, esbanjava disposição e potência vocal no auge de seus 52 anos. Os Alemães fizeram a felicidade dos headbangers do início ao fim, e ainda tiveram a sorte de começar o show quando o sol já havia ido embora e puderam desfrutar da iluminação foda, outro ponto fortíssimo do evento.

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Foto: Fanpage Monsters Of Rock

Às 19:00 o Manowar subiu ao palco. Um dos shows que eu queria muito ver. Introdução de arrepiar, homenagens à amigos que já se foram ao som de “Heart of Steel”, inclusive deixei cair uma lágrima hétero quando o grande Ronnie James Dio apareceu no telão. Confesso. Um dia prometo escrever a minha história de frustração com o Heaven and Hell. Um dia. Quando eu estiver psicologicamente preparada. Tudo certo, tudo lindo, os fãs cantando as músicas e fazendo o gesto com os braços (claro que alguns sempre se confundem e eu caio na risada), até que no grande, e acredito maior hino do Manowar, o som da guitarra de Karl Logan começa a falhar. Porra! Logo em “Kings of Metal”? Ta brincando né? Pois é, e a falha se estendeu até a próxima canção, a mais esperada por mim: “Hail and Kill”. Entre o êxtase e a frustação, eu cantei e vibrei até o final, mas o desgosto ficou estampado no meu rosto. Joe DeMaio teve que fazer uma graça e decorou algumas frases em português para se “destacar” das outras bandas que ficaram só no São Paulo e Boa Noitche. Porém, agora vem a parte chata. Aliás, se você acompanha a história do Manowar no Brasil já deve saber que os caras (por mais que não pareça) dão algumas mancadas. No último show que fizeram aqui em São Paulo, muitos fãs saíram revoltados e atearam fogo em suas camisetas. Os motivo? Eles simplesmente não tocaram os clássicos. Ok. Agora vamos falar da mancada que rolou no Monsters que muitos não devem saber. Os Reis do Metal, como eles se intitulam, liberaram apenas 10 segundos, você leu certo, 10 SEGUNDOS  para que os fotógrafos fizessem os seus registros do show. Gente, PÁRA! O estrelismo ainda existe? Desculpa aí, mas vocês tem de agradecer o trampo da galera que cobre os shows, sabia? É só assim que vocês aparecem na mídia, seus tolos! Quem me passou essa informação foi o fotógrafo Flávio Hopp, que se uniu com os fotógrafos e resolveram não fazer nenhum registro devido a falta de respeito vinda da produção ou dos caras do Manowar. Assim, perdem 3 pontos e se fosse por mim iriam já para o cantinho da disciplina.

A foto do Manowar foi censurada devido à mal criação.

Depois da falta de respeito, é a vez dos caras que não fizeram só UM puta show e sim DOIS. O Judas sempre teve o meu maior e absoluto respeito. Tanto pelas atitudes particulares da sexualidade de Rob Halford, quanto pelo som. Alguém aí já ouviu alguma treta envolvendo o Judas? Eu não. E os caras sempre mandam muito bem no palco. No domingo não tivemos muita diferença do show do dia anterior, mas pensando em mim, que estava podre de cansada só por ter ficado em pé um dia anterior, imagine para um cara de 63 anos que fez um show de quase 1 hora e meia, voltar no outro dia e ter O MESMO PIQUE. É FANTÁSTICO! (Voz do Cid Moreira). Mil palmas para o Judas, duas mil para Rob Halford que ainda é alvo de piadas escrotas pelo simples fato de ser gay. Ai, meu saco.

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Foto: Fanpage Monsters Of Rock

O show mais esperado da noite estava por vir. O Kiss dispensa apresentações (isso foi muito clichê, apaga). Quando as pessoas me perguntam qual foi o melhor show da minha vida, eu não penso duas vezes e digo que foi o show do Kiss, e elas exclamam: “Nossa! Realmente deve ser um espetáculo!”, eu ainda queria encontrar outro adjetivo para isso. Vejamos: De acordo com o Aurélio, espetáculo é TUDO AQUILO QUE ATRAI O OLHAR, A ATENÇÃO; CONTEMPLAÇÃO. Pronto. Ta aí! CONTEMPLAÇÃO. Isso é o show do Kiss. Não existe outra forma de caracterizar, é esplendido, digno de repetição. Eu via que tinha muita gente alí ao meu lado que não curte tanto o Kiss, mas que não poderia ir embora sem vê-los. Eu uma aula de rock n’ roll. Em momento algum eu ouvi: “Somos a melhor banda do mundo.” Eles não precisam de nenhuma auto afirmação. É o melhor show da vida e ponto. Tem morcego voando, tem estrela voando, tem baba de sangue, tem fumaça, tem fogos de artifício, tem TUDO. Para finalizar, de acordo com Bob Gruen, fotógrafo de shows, apenas que: “Seu show era muito barulhento, um grande espetáculo, cheio de explosões, fumaça e luzes brilhantes. Eles pareciam maiores do que a vida.”

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Foto: Fanpage Monsters Of Rock

Leia o texto sobre o dia 25 do Monsters of Rock aqui.

Leia o texto sobre Bob Gruen aqui.

Sobre a autora

Aline Rizzato

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A mesmice nunca foi meu forte, mas o rock n’ roll… Ah! Ele sim. Por ele faço loucuras. É por isso que escrevo as resenhas da forma como vejo. Acredito que quem cultiva o mesmo, não cresce. Conhecer, ver e amar. Tudo por ele. Tudo pelo Rock n’ Roll. Prazer, Aline Rizzato. E não repare a bagunça.

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