Canil Fest II: cerveja, amigos e música boa, pelo Rock n’Roll nacional

Edição e fotos: Amanda Cipullo

Se você acha que não tem mais gente fazendo Rock n’Roll por aí, sinto em informar, mas cê tem frequentado os lugares errados!

Ano passado, quando o AC/DC anunciou a saída de Malcolm Young, por motivos de saúde (ou falta dela), mais uma vez, aquele mimimi de “o rock está morrendo”, veio a tona e correu solto pelos sites especializados em música e redes (anti)socais. Muitos viam essa saída como uma metáfora para o fato de os grandes nomes do rock estarem morrendo e/ou saindo de circulação, e as previsões eram as mais terríveis: “em 10 ou 20 anos, não nos restará mais nada, estamos presenciando o fim e não há o que se possa fazer”, diziam alguns. Bullshit!

Pois bem, nesse último sábado que passou, dia 28 de março, aconteceu a segunda edição do Canil Fest, evento totalmente independente – e excelente, parafraseando o Sr. Paulo Bonfá -, que reuniu quatro bandas autorais de altíssima qualidade, e provou: bem, se você acha que o Rock n’Roll morreu, ou está morrendo, talvez o problema seja você (e a sua falta de disponibilidade para escutar coisas novas).

Fazer música no Brasil não é fácil, nunca foi. De um certo modo, as bandas ditas rockeiras, essas que estão na mídia, talvez não sejam os maiores exemplos do que é rock nacional (e chega até ser estranho pronunciar isso, é, rock nacional é sempre visto com um pé atrás, ou dois). Por outro lado, há um mundo underground, que é assim não totalmente por opção, mas muito por conta do espaço restrito imposto para alguns tipos de som. Ironicamente, é essa a galera que sempre fomentou o verdadeiro cenário do Rock n’Roll feito no Brasil e, quando digo Rock n’Roll feito no Brasil, refiro-me às bandas que são brasileiras, mas não necessariamente cantam em português, outra coisa que deixa alguns cabecinhas de cabelo em pé: “minha nossa, mas nacional tem que cantar em português”, eles dizem, bem, não necessariamente, amiguinhos!

By the way, em meio a tudo isso, é extremamente louvável a iniciativa da Mattilha, banda que comanda o Canil, ao organizar um festival de forma simples, mas bem produzida, juntando tudo isso que a gente tanto gosta: amigos, cerveja e boa música.

O evento, realizado no Feeling Music Bar e marcado para ter início às 18h, começou do jeito que a gente gosta, com welcome shot e Beer-Pong (competição em que o participante que acertasse mais vezes o copo dos adversário, ganhava uma garrafa de Jack Daniels).

IMG_2079 O primeiro show começou por volta das 20h, com a banda Sanatori#1, metal de responsa, iniciando os trabalhos da noite com duas músicas autorais (Na Beira do Abismo e Sanidade Relativa). Apesar de já ter bastante gente na casa, algumas pessoas acabaram demorando um pouco para se deslocarem até a área do show, porém, lá pela terceira música, a galera se já tinha se tocado de que o lado de dentro estava bem mais interessante. Sorte de quem viu, pena para quem perdeu. O set seguiu com mais duas autorais (Correntes e Consciência do Corrompido), covers de Sepultura, Maiden, Titãs (versão do Sepultura de Polícia) e fechando com Whiplash, do Metallica – super bem executada, diga-se de passagem. Ótima surpresa!

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A segunda da subir ao palco, foi a Desert Dance, banda que acompanho desde o início, mas nunca deixa de surpreender nos shows! E, bem, se existe esse negócio de alma de rockstar, esses caras certamente a tem.

Brilho, calças coladas e tudo isso que faz parte do Hard Rock: é assim que eles se apresentam. Se em um primeiro momento, você que nunca os viu ao vivo, pensar “mas quem é essa galera toda trabalhada no laquê?”, então, espere uns minutos, porque quando Lizzy Louis começar a solar, e Junior Rodrigues soltar o primeiro agudo, você vai pensar: “puta que pariu, como não ouvi isso antes?”. E vai ser assim até para você, headbanguer invocadão, que se diz o macho dos machos, porque música boa e bem tocada, tem esse poder de conquistar qualquer um. Jamais subestime o poder do glitter! Esses caras definitivamente sabem o que é fazer um show.

O set seguiu com sons autoriais, a maioria vindos do primeiro EP, Open Secrets, e um cover do Mötley Crüe (Kickstart My Heart). Na última música, Letting You KIMG_2426now, a banda chamou ao palco o vocalista da Sioux 66, Igor Godoi, a sintonia foi ótima e o resultado melhor ainda.

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Como é de se imaginar, a banda mais esperada era a Mattilha e, olha, vou te contar que valeu a pena! Puta show, puta vibe. É inegável a energia que os meninos tem no palco – e a galera que os assistia, também não deixou a desejar. Letras divertidas, dessas que provavelmente você não vai esquecer, como na música Duro de Dizer, que vire e mexe me pego cantando em voz alta: “não quero ser o seu namorado, mas se quiser posso te dar um trato”.

Dentre os sons tocados, estavam as músicas do primeiro CD, Ninguém É Santo, e uma música nova (Qual É O Seu Veneno?), que empolgou a galera tanto quanto as que já eram conhecidas. Durante a apresentação, rolaram também participações especiais com o baterista da banda Sioux 66, Gabriel Haddad, e o ex-baixista, Henrique Nunes.

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IMG_3185Para finalizar, a banda terminou com o single Noites No Bar, e ai o palco virou reunião de amigos, cheio de músicos parceiros, todos cantando junto; tudo regado a muita cerveja e Jack Daniels, claro! Na platéia, era difícil ver quem não cantasse também. Energia maravilhosa, momento memorável, tanto para quem viu, quanto para quem tocava.

IMG_3320A noite terminou com a Cracker Blues. Confesso que até então, não tinha ouvido o som dos caras e “caralho, como é possível isso?”, me pergunto agora. Southern Rock e Blues sempre foram os meus pontos fracos, ou seja, não tinha como não gostar. Nos vocais, Coruja mostrou que não é atoa que a banda tem tantos fãs. No set de autorias, músicas dos discos Prata do Carrasco e Entre o México e o Inferno. A pena é que a essa altura, grande parte da galera já tava naquele processo alcóolico conhecido por todos e quase inerente a nós em eventos assim, então, acabou que a platéia estava mais vazia – de novo: sorte de quem viu, pena para quem perdeu.

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Numa avaliação geral, o Canil Fest é desses eventos que reuni amigos em torno de um objetivo comum: difundir som autoral e nacional. Em tempos de internet, pode parecer que esse tipo de coisa se perdeu no passado, mas é nesses momentos em que a gente vê como iniciativas como essa são importantes e, de um certo modo, acabam sendo uma vitrine para as bandas que participam. Porém, o fato de durante o tempo inteiro o clima ser o de uma reunião de velhos amigos, não fez com que faltasse profissionalismo.

Sabe aqueles moleques que sempre lhe chamavam para curtir o som que estavam fazendo? Pois é, eles estão crescendo, e arrisco dizer que você ainda vai ouvir falar muito deles, de todos eles.

Parabéns a Mattilha, que sabe que “Is a long way to the top”, mas não deixa de fazer com que esse caminho seja divertido, e a todas as bandas e músicos que participaram do evento. Vida longa ao Canil!

SETLIST

Sanatori#1
Na Beira do Abismo – Sanatori#1
Sanidade Relativa – Sanatori#1
Arise – Sepultura
Polícia – Titãs (versão Sepultura)
Correntes – Sanatori#1
Be Quick or be dead – Iron Maiden
Consciência do Corrompido – Sanatori#1
Whiplash – Metallica

Desert Dance
Louder, Faster and Sleeze – Desert Dance
Crime Town – Desert Dance
Take Me Heaven – Desert Dance
Kickstart My Heart – Mötley Crüe
Love Drive – Desert Dance
Don’t Turn Off the Sound – Desert Dance
Letting you Know – Desert Dance

Mattilha
intro – Mattilha
Sem Hora Marcada – Mattilha
Feita Pra Mim – Mattilha
Filho Da Pompeia/instrumental straglehold – Mattilha
Blues Para Acalmar – Mattilha
Pronto Pra Rodar – Mattilha
Duro De Dizer (com Gabriel Haddad, Sioux 66) – Mattilha
Qual É O Seu Veneno? (música nova) – Mattilha
Ninguém É Santo – Mattilha
Noites No Bar – Mattilha

Cracker Blues
Trem do Inferno ao Paraguai – Cracker Blues
Jaula Enferrujada – Cracker Blues
O Chão sob Minhas Botas – Cracker Blues
Tinhoso – Cracker Blues
Toada para o Cão Ernesto – Cracker Blues
A Discreta Arte do Mau-Olhado – Cracker Blues
Blues do Inimigo – Cracker Blues
Óleo – Cracker Blues
Bolero Maldito – Cracker Blues
Caveira Chicana – Cracker Blues
Whisky Cabrón – Cracker Blues
Canto Obscuro de um Bar – Cracker Blues
Que o Diabo lhe Carregue – Cracker Blues
Velha Tatuagem – Cracker Blues

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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