Vincent Cavanagh: processo criativo, situações embaraçosas e outros casos de Rock’N’Roll

Edição e entrevista: Amanda Cipullo

Dia 08 de fevereiro, pouco mais de um ano após sua última passagem por aqui, a banda de Doom Metal, Anathema, voltou a São Paulo para divulgar o novo álbum, Distant Satellites.

Poucas semanas antes de sua chegada, conversamos com o vocalista e guitarrista Vincent Cavanagh, por e-mail, que nos contou um pouco de como foi o processo criativo desse último trabalho, situações embaraçosas e outros casos, que só acontecem no Rock’N’Roll.

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Como é estar de volta ao Brasil depois de tanto tempo?
VC:
Bem, na verdade, não faz tanto tempo. Nós tocamos em São Paulo, no Carioca Club, em Outubro de 2013, então, faz 18 meses. Antes disso, ficamos alguns anos sem vir pra cá.
O Brasil sempre vai ser especial para nós, porque foi o primeiro lugar  que visitamos na América do Sul (Belo Horizonte e São Paulo). Nós éramos muitos novos naquela época, e havia sido difícil deixar a Inglaterra, então, nos encontrarmos do outro lado do mundo, realmente abriu nossos olhos. Foi muito divertido e estamos bem ansiosos para voltar. Além disso, claro, temos um interprete, Daniel Cadorso, que nos ajuda na comunicação com as pessoas e a resolver outras coisas, o que é bem legal. A única coisa que me deixa um pouco chateado, é que ainda não pudemos visitar o Rio, e eu adoraria conhecer essa cidade. Talvez, na próxima vez.

 

Depois de muitos anos na estrada, cria-se uma certa desenvoltura para solucionar eventuais problemas, mas, no começo, como era lidar com os imprevistos?
VCVocê tenta prever alguns problemas com antecedência e fazer com que eles não aconteçam, faz parte de aprender a lição com experiências anteriores. Ainda assim, algumas vezes as coisas saem do controle, e tudo é completamente inesperado. Como quando, em 2006, nosso show foi cancelado pela polícia, em São Paulo. Nós estávamos no camarim, prontos para começar, quando fomos avisados de que não poderíamos tocar, porque o proprietário da casa estava com a licença de funcionamento vencida. Nesse momento, tudo o que pudemos fazer, foi anunciar que estaríamos dentro do local, atendendo a todos, tirando fotos e essas coisas e, depois, simplesmente iríamos embora.  Isso foi muito frustrante, tanto para o público, quanto para a banda. Mas, esse é o tipo de momento em que você deve acabar com qualquer má impressão e apenas ser legal com todos. Eu acho que as pessoas gostaram disso, era tudo o que podíamos fazer.

 

Vocês se lembram de alguma situação embaraçosa durante algum show?
VC Alguns anos atrás, estávamos tocando na Filnândia, durante o show, fui me virar e tropecei nos cabos da minha guitarra, que se enrolaram nas minhas pernas e me fizeram cair para trás. Quando me levantei, percebi que minhas calças haviam rasgado dos joelhos até a virilha. Por sorte, naquele dia, eu estava vestindo algo por baixo delas!
Não me senti constrangido, só pensei que aquilo era engraçado.

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Sobre o novo álbum, Distant Satellites, como foi o processo criativo?
VC: Nós todos moramos em países diferentes, por isso, tivemos duas sessões para escrevermos as músicas – uma semana em Portugal e alguns dias na Noruega. Foi assim que fizemos todas as músicas e arranjos. As letras, escrevemos no estúdio, antes da gravação.
Para ser sincero, não quero mais trabalhar desse jeito. No próximo, quero tudo escrito e ensaiado com antecedência.

 
Alguns artistas costumam citar o último trabalho como favorito, como é isso para você? Existe algum disco pelo qual tenha um carinho especial?
VC: Sim, eu mesmo já disse isso! Esse é o processo natural de um músico que pensa no futuro e em progredir, mas tenho um afeto especial pelo clássico Falling Deeper.

 

Você se lembra qual foi o primeiro show de rock que assistiu?
Vincent Cavanagh: Sim, eu acho que foi no Royal Court Theathe, em Liverpool, por volta de 1988, 1989. Algumas bandas de Blues Hard tocavam lá, na verdade, nós não gostávamos muito desse tipo de som, apenas queríamos ir para algum lugar que tivesse um mosh pit e, naquela época, se a banda tivesse guitarras pesada, haveria um mosh.

 

Há algum momento da sua carreira que considera inesquecível?
VC: Sim! Escrevendo a letra e a melodia da música Universal, em 2009. Eu estava trabalhando sozinho, no meu próprio estúdio, sem ver e nem falar com ninguém por dias, quando finalmente encontrei algo que fazia com que paredes balançassem. Foi um momento realmente importante para mim, tanto como escritor, quanto como produtor, mas na hora eu não tinha ninguém com quem compartilha-lo. Esperei mais alguns dias, até que os caras  apareceram e eu disse: “Ok, ouçam isso..”

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Sobre a autora

Amanda Cipullo
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Editora de (e do) Casos, formada em publicidade. Jornalista por acaso; atriz e escritora por paixão.
Acredita que pedras que rolam não criam limo, e é esse tipo de história que relata por aqui.

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